Polvos demonstram alta percepção espacial ao usar espelho em experimento inédito
Primeira evidência de uso de reflexo para orientação por invertebrados impressiona cientistas
Estudo revela que polvos podem compreender a relação entre reflexo e espaço, profissionais aguardam confirmação de autoreconhecimento.
Um estudo pioneiro divulgado nesta semana revela que polvos são capazes de usar espelhos para identificar a localização de objetos fora de seu campo de visão, uma habilidade até então documentada apenas em vertebrados. Segundo pesquisadores, três polvos de aproximadamente um ano de idade participaram de um experimento onde tiveram que usar o reflexo para encontrar caranguejos escondidos e, surpreendentemente, demonstraram comportamento que indica compreensão dessa relação espacial.
Para essa investigação, os cientistas primeiro treinaram os polvos para se acostumar ao espelho, uma etapa essencial para evitar que interpretassem seus próprios reflexos como ameaças ou outros animais. Como explica a psicóloga responsável pelo estudo, “você vê vídeos em que colocam espelhos na selva e os animais se assustam. Então, o primeiro passo foi fazer o animal entender que não há ameaça alguma vindo do que eles veem”. Com esse entendimento, o procedimento avançou e os polvos passaram a interagir de forma mais natural diante do espelho.
Na sequência, a equipe colocou caranguejos dentro de um recipiente que eles já sabiam abrir, mas estavam escondidos fora de sua linha direta de visão. Para encontrá-los, os polvos inicialmente iam direto ao espelho, tentando alcançar a imagem refletida. Após cerca de 10 a 12 tentativas, eles aprenderam a contornar o espelho e seguir até o local onde a presa realmente estava. Para eliminar qualquer pista química, os pesquisadores substituíram o crustáceo real por uma versão virtual exibida em uma tela, impedindo que sinais de cheiro ajudassem na busca.
Os resultados mostraram que os polvos não se limitavam a seguir a própria reflexão. Durante 59% das tentativas em que acertaram o objetivo, eles escalaram as paredes laterais do tanque, em movimentos que indicam uma compreensão do espaço fora de sua visão direta. Uma das criaturas até conseguiu realizar essa manobra na primeira tentativa, um comportamento considerado bastante avançado para um invertebrado. Os pesquisadores interpretam esses comportamentos como uma evidência de percepção mediada por espelho — ou seja, a habilidade de usar a imagem refletida para inferir a localização de algo que não é visível diretamente.
Apesar do funcionamento dessas habilidades, a equipe afirma que a pesquisa não comprova que os polvos reconhecem a própria imagem no espelho. Ainda não há evidências de autoreconhecimento, um teste que envolve colocar marcas invisíveis no corpo do animal e observar se ele tenta examiná-las ao se ver no espelho. Esse tipo de comportamento foi observado em primatas e elefantes, mas não nos polvos até o momento. Ainda assim, o estudo traz um avanço importante na compreensão da inteligência desses animais, demonstrando que eles podem usar o reflexo como uma ferramenta para resolver problemas complexos.
O que sabemos?
- Polvos conseguiram usar espelho para encontrar objetos escondidos.
- Eles aprenderam a contornar o espelho após várias tentativas.
- Em parte dos acertos, escalaram a estrutura para alcançar a presa.
- Documento é a primeira evidência de percepção mediada por espelho em invertebrados.
- Não há confirmação de que os polvos reconhecem a própria imagem, apenas o uso do reflexo para orientação.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





