Ciência

Descoberta de necrópole pré-histórica no arquipélago de Svalbard reacende dúvidas sobre história local

Em apuração ?

Equipe internacional registra 45 túmulos e vestígios de embarcações antigas em regiões remotas do Ártico

Imagem ilustrativa de um cenário de gelo no Ártico com destaque para o local arqueológico
Imagem: Aventuras na História

Uma necrópole com 45 túmulos está sendo estudada na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, no Ártico. Os arqueólogos utilizaram métodos não invasivos para preservar o local, cuja origem e cultura envolvem ainda questionamentos.

Uma descoberta arqueológica no extremo norte do arquipélago de Svalbard, na Noruega, tem chamado a atenção de pesquisadores e entusiastas da história. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, uma necrópole com 45 túmulos foi identificada perto do Cabo Fuglehuken, numa área de difícil acesso na ilha de Spitsbergen. A equipe responsável, liderada pelo Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências, realiza uma temporada de estudos no local e, segundo essa fonte, adotou métodos não invasivos para documentar a estrutura da necrópole, que apresenta características incomuns nas práticas funerárias conhecidas dos povos Pomor, comunidade russa tradicionalmente estabelecida na região.

A equipe explicou que os túmulos, todos cobertos por pedras, estão situados em terrenos elevados, uma peculiaridade que aguça a curiosidade dos especialistas. Ainda de acordo com a fonte, na parte sul da necrópole foram encontrados restos de uma cruz de madeira, um elemento comum em sepultamentos pomor, o que sugere uma possível ligação com esses povos. Contudo, a equipe reforça que a identidade cultural e histórica das pessoas enterradas no local ainda não foi confirmada oficialmente, e que a descoberta pode trazer novas pistas para entender as tradições funerárias da região.

Além dos túmulos, a expedição também documentou vestígios de embarcações de madeira na área de Prins Karls Forland e ao longo da costa oeste de Spitsbergen. Entre os achados estão fragmentos de quatro quilhas e estruturas com cavilhas de madeira, elementos que indicam a presença de antigas embarcações no local. Uma sequência incomum de tábuas unidas com vime foi localizada na costa norte da Península de Sarsa, sugerindo uma construção naval primitiva de um período ainda por determinar. Como a legislação norueguesa impede a retirada de artefatos, os arqueólogos produziram modelos 3D detalhados de todos esses objetos no próprio sítio para estudo posterior.

Outro ponto de interesse da expedição foi a visita ao sítio arqueológico de Ebeltofthamna, na costa norte de Krossfjorden. Lá, os pesquisadores verificaram a presença de três complexos residenciais e cemitérios, com objetos como uma cruz de folha, cachimbos holandeses de argila branca, fragmentos de cerâmica dos séculos 17 e 18, além de calçados de couro e objetos de ferro. A equipeProduziu modelos tridimensionais desses itens, já que a retirada dos materiais não é permitida por lei. Estimativas indicam que Ebeltofthamna foi ocupada de forma intermitente do final do século 17 ao início do século 19, mas vem sofrendo com a erosão costeira e o degelo do permafrost, fenômenos que, segundo a fonte, podem levar à destruição completa do sítio nas próximas décadas, caso as condições do clima continuem a se intensificar.

Por fim, a equipe voltou a registrar a necrópole pomor próxima, onde ainda são visíveis restos de cruzes e duas fileiras de túmulos em um terraço marinho, com um sepultamento que possui um crânio parcialmente exposto. A reconstrução digital do rosto da pessoa enterrada também foi realizada, contribuindo para entender a história dessas comunidades que habitaram a região por séculos. Ainda não há confirmações oficiais sobre as conclusões finais do estudo ou o significado exato das descobertas, e a equipe espera que novos datos possam esclarecer esses mistérios arqueológicos.

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O que sabemos?

  • Necrópole com 45 túmulos foi encontrada perto do Cabo Fuglehuken em Svalbard.
  • A equipe usa métodos não invasivos para preservar o local, devido às restrições legais.
  • Vestígios de embarcações antigas e objetos históricos também foram documentados na região.
  • A área de Ebeltofthamna apresenta sinais de deterioração acelerada por erosão e degelo.

Fontes

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