Navio de pesquisa científica, anteriormente dedicado à exploração de petróleo, revela descobertas surpreendentes no oceano profundo
Em operações pelo mundo, embarcação adaptada já identificou mais de cem espécies e revela resíduos humanos a quase 3 km de profundidade.
O R/V Falkor, antes usado para exploração de petróleo, agora realiza estudos científicos nos oceanos, incluindo descobertas de novas espécies marinhas e resíduos deixados por humanos nos ambientes mais profundos.
Um navio que já esteve envolvido na exploração de petróleo e gás vem, nos últimos anos, se destacando por suas atividades científicas no oceano profundo. Segundo informações da CNN Brasil, o R/V Falkor, embarcação de responsabilidade do Schmidt Ocean Institute, tem contribuído para avanços na pesquisa marítima, descobrindo mais de cem novas espécies e aumentando o mapa do fundo oceânico, que atualmente cobre menos de 30% do leito dos oceanos do planeta.
O navio, que carrega uma classificação polar, é equipado com tecnologia avançada, incluindo um veículo operado remotamente — um ROV de quatro toneladas e capaz de atingir profundidades superiores a quatro mil metros. Recentemente, esse equipamento encontrou uma jaqueta a mais de 3 mil metros de profundidade, a cerca de 1.700 quilômetros da costa brasileira, uma descoberta que revela o impacto humano mesmo nos ambientes mais remotos. Apesar de a expectativa inicial ser explorar o oceano desconhecido, os cientistas confirmaram a presença de resíduos jogados por humanos, indicando que, em muitos desses ambientes inexplorados, ainda há marcas da atividade humana.
Além das descobertas de resíduos, a embarcação tem realizado estudos de regiões como a Dorsal Mesoatlântica, com intuito de entender a formação do oceano profundo e os processos geológicos que ocorrem nas zonas de falha da cordilheira marinha. Essas áreas são especialmente importantes porque contribuem para o sequestro de gases de efeito estufa e afetam a circulação oceânica global, sobretudo a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, responsável por distribuir energia entre os hemisférios do planeta.
Segundo fontes da CNN Brasil, o R/V Falkor também busca compreender a biodiversidade vulnerável nas regiões próximas à Linha do Equador, entre o Brasil e a África Ocidental. Por ali, há uma falha geológica repleta de sedimentos e correntes vigorosas, que parecem esconder ecossistemas únicos ainda pouco explorados. Ainda não há confirmação oficial de todas as descobertas, mas o avanço da tecnologia e o empenho na pesquisa indicam uma fase promissora na compreensão do ambiente marinho mais profundo do que se imaginava até então. Além disso, o Brasil deverá sediar, em abril do próximo ano, o evento da Década do Oceano da ONU, que tratará justamente de temas como esses, promovendo maior atenção global às regiões marítimas.
Por fim, a presença do Falkor em Fortaleza, no Ceará, e a sua antiga vocação exploratória deixam claro o potencial dessa investigação científica para o conhecimento e a preservação dos oceanos, que cobrem mais de 70% da superfície terrestre. Espera-se que novos estudos e descobertas possam contribuir para uma melhor compreensão das mudanças climáticas e para a preservação da biodiversidade marinha. Entretanto, o fato de resíduos humanos serem encontrados em profundidades tão extremas ainda preocupa, reforçando a necessidade de ações globais contra a poluição oceânica, mesmo nos ambientes mais inóspitos.
O que sabemos?
- O R/V Falkor foi adaptado para pesquisas científicas oceanográficas.
- Já descobriu mais de cem novas espécies no oceano profundo.
- Encontrou uma jaqueta a mais de 3.000 metros de profundidade, 1.700 km da costa brasileira.
- Realiza estudos na Dorsal Mesoatlântica e regiões de falhas geológicas.
- Vai sediar o evento da Década do Oceano da ONU em abril de 2024.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





