Cientistas alertam para riscos à saúde do ozônio derivado de queimadas
Pesquisas indicam aumento de perigos invisíveis ao ar livre causado por incêndios florestais
Estudos recentes mostram que os incêndios, além da fumaça visível, elevam níveis de ozônio ao solo, colocando milhões em risco de doenças pulmonares e cardiovasculares.
Durante os incêndios florestais registrados recentemente na América do Norte, autoridades de Nova York tomaram medidas de emergência devido à pior qualidade do ar já registrada na cidade, com níveis de poluição chegando a colocar a saúde da população em risco. Segundo informações de fontes não oficiais, a fumaça dos incêndios canadianos avançou para o sul, causando alta concentração de partículas finas — os PM2,5 — e levando a ações como distribuição de máscaras e orientação para evitar atividades ao ar livre. Ainda assim, estudos indicam que os efeitos nocivos das queimadas vão além do que se vê na fumaça visível.
Pesquisadores têm alertado que, mesmo após a fumaça se dispersar e o céu clarear, a poluição de longa duração continua a impactar a saúde pública. Uma das principais preocupações atuais é o aumento do nível de ozônio ao nível do solo, gás que ocorre naturalmente na atmosfera para proteger o planeta da radiação solar, mas que, em excesso, se torna extremamente tóxico para o revestimento das vias respiratórias humanas.
Segundo o pesquisador da Universidade de Iowa, Jun Wang, a equipe dele usou inteligência artificial para criar um mapa detalhado que mostra os níveis de ozônio por toda a extensão dos Estados Unidos, considerando combinações de dados de satélites, medições terrestres e modelos atmosféricos. Os resultados, publicados em uma revista científica na metade do ano, revelam que, apesar de uma tendência de queda na concentração de ozônio ao longo dos anos 2000, uma forte reversão ocorreu em 2015. Os níveis começaram a subir novamente, e essa mudança só foi notada agora por causa da escassa rede de monitoramento tradicional, que nem sempre consegue captar projeções mais amplas.
Os estudos apontam que a recente onda de incêndios florestais foi o principal fator responsável por essa reversão na tendência de queda, algo que, de acordo com os cientistas, não era esperado. Segundo Meng Zhou, da Nasa, os incêndios vêm anulando de forma contínua os avanços feitos na redução do ozônio ao longo de mais de uma década, elevando o risco de exposição para várias milhões de pessoas. Estimativas preliminares indicam que, entre 2022 e 2024, aproximadamente 43 milhões de indivíduos foram expostos a níveis potencialmente perigosos do gás, o que reforça a preocupação com a saúde pública e a necessidade de mais estudos e políticas de combate à poluição atmosférica causada pelos incêndios.
O que sabemos?
- Incêndios florestais aumentam a poluição do ar, mesmo após o fim da fumaça visível.
- Níveis de ozônio ao solo aumentam devido às queimadas, representando riscos à saúde.
- Estimativa aponta que 43 milhões de pessoas foram expostas a níveis perigosos de ozônio entre 2022 e 2024.
- Pesquisadores usaram inteligência artificial para mapear o ozônio nos EUA.
- Estudos publicados em junho revelam a reversão da tendência de queda do ozônio iniciada nos anos 2000.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





