Ciência

Estudo aponta limitações na construção de cidades na Lua por causa da água

Em apuração ?

Depósitos de gelo lunar podem não ser suficientes para sustentar grandes populações, apontam pesquisadores

Imagem ilustrativa de uma cratera polar lunar com gelo exposto
Imagem: Revista Galileu

Segundo análise publicada na revista Frontiers in Space Technologies, as reservas de água na Lua podem não suportar megacidades por muito tempo. Mesmo em cenários otimistas, uma população de um milhão de habitantes teria sua água consumida em pouco mais de um século.

A ideia de estabelecer grandes cidades na Lua sempre gerou grande interesse, impulsionada por projeções de bases permanentes, indústrias e até plantações no satélite. No entanto, uma análise recente levantada por pesquisadores da revista Frontiers in Space Technologies sugere que a disponibilidade de água—recurso fundamental para a sobrevivência humana—é um obstáculo sério para esses planos. Segundo a fonte, os depósitos de gelo nas regiões polares da Lua, encontrados principalmente em crateras permanentemente sombreadas, podem não contar com quantidade suficiente de água para sustentar populações em larga escala por muito tempo.

De acordo com o estudo, essas crateras permanecem na escuridão há bilhões de anos, com temperaturas abaixo de 110 kelvin (-163°C), condição que ajuda a manter o gelo de água intacto. Ainda assim, a estimativa mais otimista aponta uma reserva de até 1 bilhão de toneladas de água. Segundo a fonte, mesmo esse volume considerável seria insuficiente para manter uma população de um milhão de habitantes por mais de um século, caso não haja reciclagção eficiente. Pesquisadores destacam que, na prática, as reservas poderiam ser bem menores, com estimativas recentes indicando uma quantidade cerca de 30 vezes menor do que o valor mais generoso.

Apesar do cenário desanimador, a energia ainda surge como um ponto positivo para futuros assentamentos na Lua. Algumas regiões próximas às crateras polares recebem luz solar durante longos períodos, o que permite a instalação de painéis solares capazes de gerar aproximadamente 3 gigawatts de energia. Além disso, a composição do regolito lunar, a camada de fragmentos rochosos e poeira que cobre a superfície, é rica em silício, elemento necessário para fabricar equipamentos e até mesmo componentes de painéis solares Na prática, uma cidade lunar teria sua sobrevivência limitada pelo menos preo complicado de garantir o recurso vital que é a água. O estudo mostra que, sem reciclagem, qualquer reserva de água, mesmo a mais otimista, seria consumida rapidamente, mas que a eficiência na reutilização do líquido, como já acontece na Estação Espacial Internacional (que alcança cerca de 98% de reciclagem), poderia estender bastante essa duração, embora ainda assim não seja uma solução definitiva.

Por enquanto, tudo ainda é especulação e plano de projeção: o estudo não confirma a viabilidade de megacidades na Lua, apenas aponta que essa construção, com a tecnologia atual, enfrentaria limitações de recursos essenciais. A avaliação completa do potencial lunar depende de novas missões e de uma maior certeza sobre a quantidade de gelo disponível. Segundo a fonte, o cenário mais realista sugere que, por enquanto, a Lua permanece como um ambiente hostil, com recursos que podem não ser suficientes para sustentar populações humanas permanentemente.

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O que sabemos?

  • Depósitos de gelo nas regiões polares da Lua são escassos e em condições extremas.
  • Estimativa máxima de água disponível é de até 1 bilhão de toneladas, mas ela poderia ser 30 vezes menor.
  • Uma população de um milhão de pessoas consumiria toda a reserva em pouco mais de um século, sem reciclagem de água.
  • A energia solar na Lua pode gerar cerca de 3 gigawatts em regiões próximas às crateras polarizadas.
  • A reciclagem de água, como na ISS, pode atingir 98% de eficiência, mas não resolve o problema de recursos limitados.

Fontes

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