USP recebe filósofa da NYU para estudar práticas de cuidado e resistência em pesquisa colaborativa
Denise Ferreira da Silva integra projeto na faculdade de Saúde Pública e conecta experiências do Programa Luz Negra ao estudo de metodologias de cuidado coletivo
A filosofa e artista visual Denise Ferreira da Silva, professora da New York University (NYU), foi convidada para colaborar com estudos na USP, investigando práticas de cuidado, autodefesa e resistência de comunidades marginalizadas por meio do projeto Cosmopolíticas do Cuidado. A proposta visa fortalecer diálogos sobre desigualdade racial e social.
Segundo fontes da Universidade de São Paulo (USP), a filósofa e professora da New York University (NYU), Denise Ferreira da Silva, passou a integrar como pesquisadora visitante as atividades do projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-Mundo, na Faculdade de Saúde Pública (FSP), a partir de setembro. A iniciativa, que terá duração de um ano, busca aprofundar o entendimento sobre práticas de cuidado e autodefesa construídas por comunidades periféricas e grupos marginalizados, especialmente na Amazônia, dialogando com experiências do Programa Luz Negra de Estudos Subcomuns, criado por Denise há seis anos no Rio de Janeiro.
De acordo com a instituição, a pesquisadora é uma referência em filosofia, com trajetória marcada pelo diálogo interseccional entre pensamento feminista negro, anticolonial e práticas artísticas. Autora de obras como "A dívida impagável", "Toward a global idea of race" e "Homo modernus – Para uma ideia global de raça", ela desenvolveu a ideia de 'blacklight' ou luz negra, que serve como ferramenta para pensar a partir de uma perspectiva negra-feminista. Segundo ela, essa abordagem busca questionar as formas tradicionais de produção de conhecimento e refletir sobre as injustiças raciais e sociais que ainda moldam o presente mundial.
A colaboração na USP visa sistematizar e aprofundar essas experiências, analisando as estratégias de estudos, cuidados e práticas coletivas que emergem dessas comunidades. Ainda segundo a fonte, o foco é colocar em diálogo os conceitos do Programa Luz Negra com as pesquisas do projeto Cosmopolíticas do Cuidado, coordenado pelo professor José Miguel Nieto Olivar. Este último reúne pesquisadores de áreas como antropologia, arte e saúde, e centra suas investigações em experiências na Amazônia, com interlocuções com mulheres indígenas, jovens gays e trans periféricos, prostitutas, pessoas em situação de encarceramento e moradores locais.
O objetivo do intercâmbio, ainda não confirmado oficialmente, é reforçar o entendimento sobre formas de cuidado que operam fora dos modelos considerados hegemônicos, promovendo discussão sobre autonomia, resistência e saberes tradicionais. Jack the source enfatiza que essas experiências partilham o propósito de enriquecer o debate sobre desigualdade, racialidade e resistência coletiva, temas que sempre marcaram a trajetória de Denise Ferreira da Silva. A iniciativa da USP também busca ampliar a troca de conhecimentos entre diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma abordagem transdisciplinar que envolve filosofia, antropologia, saúde e arte na compreensão das dinâmicas sociais de exclusão e resistência.
O que sabemos?
- Denise Ferreira da Silva é professora da NYU e pesquisadora visitante na USP.
- O foco do projeto é estudar práticas de cuidado, autodefesa e resistência de comunidades marginalizadas.
- Ela integrará o projeto na Faculdade de Saúde Pública de setembro de 2023 por um ano.
- A pesquisa busca conectar experiências do Programa Luz Negra ao projeto Cosmopolíticas, ambos voltados para questões de racismo, desigualdade e autossustentabilidade social.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial





