Ciência

Estudo revela como os primeiros pássaros podem ter aprendido a voar há 150 milhões de anos

Em apuração ?

Pesquisa propõe que decolagens primitivas por múltiplos saltos foram essenciais na evolução do voo das aves

Fóssil de Archaeopteryx, uma ave primitiva de 150 milhões de anos
Imagem: CNN Brasil

Um novo estudo científico sugere que os primeiros aves, como o Archaeopteryx, usavam estratégias de decolagem com vários saltos, semelhantes às aves modernas, antes de evoluírem o salto único explosivo.

Uma pesquisa publicada pela revista Developmental Biology traz uma nova perspectiva sobre a origem do voo nas aves, especialmente no fósseil conhecido como Archaeopteryx, que viveu há aproximadamente 150 milhões de anos. Segundo os cientistas envolvidos na investigação, esse fóssil, considerado um dos primeiros exemplos de ave primitiva, provavelmente dependia de uma estratégia de decolagem por múltiplos saltos para alcançar o voo sustentado. A análise, conduzida por pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, em colaboração com o Museu Nacional de História Natural de Paris, na França, afirma que essa técnica de decolagem primitiva foi uma fase evolutiva importante que precedeu o método atual, baseado em um único, potente salto. Como o Archaeopteryx não possuía estruturas anatômicas completas, como um esterno com quilha muscular e ombros altamente móveis, era improvável que ele conseguisse um decolagem rápida e explosiva semelhante às aves modernas. Entretanto, ele apresentava pernas traseiras bastante robustas, que correspondem a cerca de 13% do seu peso corporal, capazes potencialmente de gerar força suficiente para saltos repetidos no solo, aumentando gradualmente sua velocidade até o momento de levantar voo. A investigação se apoiou na construção de um modelo biomecânico computacional, que utiliza dados de movimentos atuais de aves e a anatomia do fóssil para testar três cenários de decolagem: uma tentativa de decolagem com um único salto, uma de múltiplos saltos sequenciais e uma combinação de ambos. A partir desses testes, os cientistas concluíram que a estratégia de saltos múltiplos era viável e provavelmente uma etapa intermediária na evolução do voo, atuando como um motor temporário até que as aves conseguissem desenvolver músculos peitorais mais fortes e a estrutura anatômica necessária para uma decolagem definitiva. Essa descoberta sugere que o desenvolvimento do voo moderno, com seu salto explosivo, evoluiu de mecanismos primitivos de decolagem em fases, o que pode explicar a ausência de dinossauros minúsculos, já que esses mecanismos dependiam de força nas pernas mais do que de uma estrutura de voo superior completa. Ainda não há confirmação oficial de que essa estratégia tenha sido usada especificamente pelo Archaeopteryx, mas a hipótese tem ganhado destaque em discussões científicas recentes, que buscam preencher lacunas na nossa compreensão sobre como as aves se tornaram capazes de voar. A pesquisa reforça a ideia de que a evolução do voo foi um processo gradual, no qual as habilidades de decolagem aprimoraram-se ao longo do tempo, com estratégias intermediárias como os múltiplos saltos desempenhando papel fundamental nesse percurso.

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O que sabemos?

  • O estudo sugere que aves primitivas usavam múltiplos saltos para decolar.
  • O Archaeopteryx tinha pernas fortes, correspondendo a cerca de 13% do peso corporal.
  • O modelo biomecânico testou três cenários de decolagem.
  • A hipótese é que o voo moderno evoluiu a partir de estratégias de decolagem primitiva.

Fontes

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