Física, ciência e legado: a trajetória do pesquisador que marcou o Brasil
João Alziro Herz da Jornada faleceu aos 77 anos após batalha contra câncer de pâncreas
João Alziro Herz da Jornada, físico renomado, morreu em 2 de agosto em Porto Alegre. Foi pioneiro na produção de diamantes sintéticos e contribuiu para o avanço da metrologia no Brasil.
Na última sexta-feira, Porto Alegre perdeu uma de suas figuras mais influentes no campo da física e da ciência, João Alziro Herz da Jornada, aos 77 anos. Segundo informações de uma fonte próxima à família, ele faleceu em decorrência de um câncer de pâncreas. Conhecido por sua curiosidade incansável e dedicação às pesquisas, João deixou um legado que permeia diversas áreas da ciência brasileira.
Natural de São Borja, no Rio Grande do Sul, João mudou-se para Porto Alegre aos 9 anos na busca por melhores oportunidades de estudo, conforme apurado. Ainda na infância, já demonstrava seu talento, tendo aprendido habilidades como marcenaria na escola. Formou-se em física pela UFRGS em apenas três anos, recebendo láurea acadêmica, uma conquista impressionante. Foi na universidade que conheceu sua esposa, Eda Homrich, também física, com quem realizou mestrado e doutorado. A expertise de João later se estendeu aos Estados Unidos, onde morou entre 1982 e 1984, aprofundando seus estudos.
Segundo uma fonte familiar, João tinha uma ligação profunda com sua história familiar na ciência: seu avô materno, Hermann Herz, judeu alemão que veio ao Brasil antes da Segunda Guerra Mundial, escreveu uma carta a Albert Einstein alertando-o sobre a situação dos judeus na Alemanha. Einstein respondeu agradecendo a preocupação, gesto que João herdou na sua própria trajetória de pesquisa. Professor da UFRGS por cerca de 30 anos, João liderou o Laboratório de Altas Pressões e foi um dos pioneiros no Brasil na produção de diamantes sintéticos, utilizados na indústria do corte de vidro e na perfuração de poços de petróleo.
Mesmo após aposentar-se, João continuou ativo, fazendo experimentos, consertando equipamentos e contribuindo para o avanço da metrologia no país. Sua atuação também foi fundamental na criação da Rede Metrológica do Rio Grande do Sul e na sua participação no Inmetro, onde ocupou cargos de liderança e promoveu melhorias administrativas. Segundo um especialista ou fonte, João foi reconhecido com a Ordem Nacional do Mérito Científico, no grau de Grã-Cruz, e manteve uma ligação próxima à educação e à divulgação científica. Por seu impacto, foi nomeado professor emérito da UFRGS.
Segundo uma fonte, João era visto como alguém que combinava uma grande curiosidade com um estilo bem-humorado, valorizando a música erudita, especialmente Wagner e Bach, além de história, arte e tecnologia. Filho, João Francisco Homrich da Jornada, de 48 anos, engenheiro de software, descreveu seu pai como uma pessoa que adorava explicar e experimentar, sempre interessado em estimular a curiosidade de seus filhos. Seu filho ainda afirmou: "Ele era da área de física experimental, então, gostava muito de explicar, de experimentar. Era uma pessoa muito curiosa".
João deixa uma esposa, Eda, e quatro filhos além de oito netos. Segundo a fonte, sua morte é uma perda significativa para o meio científico brasileiro, que celebra a vida e as contribuições de um homem dedicado à ciência, à educação e ao legado de uma geração de pesquisadores.
O que sabemos?
- João Alziro Herz da Jornada morreu em 2 de agosto aos 77 anos.
- Morte decorrente de câncer de pâncreas.
- Foi pioneiro na produção de diamantes sintéticos no Brasil.
- Professor e pesquisador na UFRGS por cerca de 30 anos.
- Deixou esposa, quatro filhos e oito netos.
Fontes
- UOL Notícias imprensa


