Ciência

Físico brasileiro João Herz da Jornada falece aos 77 anos após luta contra câncer de pâncreas

Em apuração ?

Legado científico e histórias de curiosidade marcaram a vida do pesquisador gaúcho, herdando uma ligação com a ciência que atravessou gerações

Retrato de João Herz da Jornada, físico brasileiro brasileiro
Imagem: Folha de S.Paulo

João Herz da Jornada, renomado físico e fundador do Laboratório de Altas Pressões na UFRGS, morreu em decorrência de câncer de pâncreas. Sua trajetória inclui pesquisa pioneira em diamantes sintéticos e atuação no Inmetro. Familiares destacam sua curiosidade e paixão por explicar a ciência.

Segundo relatos de familiares e fontes ligadas à universidade, João Herz da Jornada, um dos mais destacados físicos brasileiros, faleceu na última segunda-feira, aos 77 anos, após uma longa batalha contra câncer de pâncreas. João era conhecido por sua dedicação à ciência, herança familiar de uma trajetória marcada pela curiosidade e pelo incentivo à educação e à pesquisa. Ainda não há confirmação oficial sobre detalhes do tratamento ou a causa exata da morte, mas a notícia gera comoção no meio acadêmico e entre seus entes queridos.

Nascido em São Borja (RS) e criado em Porto Alegre, João se destacou desde jovem por sua inteligência e interesse pelos fenômenos naturais. Segundo sua família, ele tinha a curiosidade como método e a ciência como norte e legado. A narrativa familiar revela que, ainda criança, João gostava de transformar jantares em experiências didáticas, brincando com símbolos matemáticos, como o delta, que ele chamava de “um pedaço de delta,” numa referência à figura triangular. Nato de uma família que valorizava a educação, ele estudou física na UFRGS, formando-se com láurea acadêmica em apenas três anos, e posteriormente casou-se com a também física Eda Homrich, com quem fez mestrado e doutorado.

Ao longo da carreira, João destacou-se por sua contribuição na pesquisa para a síntese de diamantes sintéticos, materiais usados na indústria de corte de vidro e na perfuração de poços de petróleo. Segundo informações ainda não confirmadas formalmente, ele também foi pioneiro na criação da Rede Metrológica do Rio Grande do Sul e, posteriormente, ingressou no Inmetro, onde dirigiu a área de Metrologia Científica e Industrial e presidiu o instituto por 11 anos. Seus colegas e familiares ressaltam que, mesmo após a aposentadoria, João continuava atuando no laboratório, fazendo experimentos e reparando equipamentos com sua habitual curiosidade e paixão pela experimentação.

Filho de João, João Francisco Homrich da Jornada, engenheiro de software, comenta que seu pai era uma pessoa muito curiosa, que adorava explicar e ensinar, especialmente sobre máquinas, arte e tecnologia. João também era apreciador de música erudita, especialmente Wagner e Bach, e tinha o costume de levar os filhos a museus, transmitindo seu amor pela história e pela ciência. Sua ligação com o mundo acadêmico e científico também carregava uma história de preocupação humanitária, vindo de uma geração anterior de sua família. Como herança, João tinha uma carta enviada por Albert Einstein a seu avô, Hermann Herz, na qual o físico alemão demonstrava simpatia pelas preocupações dos judeus na Alemanha, antes da Segunda Guerra Mundial.

Segundo fontes, a morte de João aconteceu na sua residência, em Porto Alegre, e gerou luto entre colegas, amigos e familiares que o lembram como uma figura presente, divertida e bem-humorada. Ainda não há informações detalhadas sobre o funeral ou homenagens oficiais, e a família ainda aguarda o pronunciamento de instituições, incluindo a universidade e o Inmetro. O legado de João Herz da Jornada permanece na ciência brasileira, especialmente na área de física experimental e na construção de uma tradição de pesquisa e curiosidade que ele incentivou desde criança, até seus últimos dias.

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O que sabemos?

  • João Herz da Jornada faleceu aos 77 anos em 2 de agosto por câncer de pâncreas.
  • Ele foi professor da UFRGS por aproximadamente 30 anos.
  • Fundou o Laboratório de Altas Pressões na UFRGS e fez pesquisa pioneira em diamantes sintéticos.
  • Dirigiu a área de Metrologia no Inmetro e presidiu o instituto por 11 anos.
  • Deixou a esposa, Eda, familiares e uma forte ligação com a ciência brasileira.

Fontes

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