Ciência

Estudo revela impacto da Peste Negra na biodiversidade europeia e suas evidências paleoclimáticas

Em apuração ?

Pesquisa analisa mudanças na flora e fauna durante a tragédia do século 14

Imagem ilustrativa de registros de pólen antigo e mapas da Europa medieval
Imagem: Aventuras na História

A devastação causada pela Peste Negra, além das mortes humanas, também afetou a biodiversidade na Europa. Segundo estudos recentes, a redução populacional e as transformações sociais da época tiveram reflexos claros nas plantas e nos habitats do continente.

Um estudo divulgado na revista Ecology Letters revela que a Peste Negra, que dizimou mais de um terço da população europeia no século 14, também deixou marcas na biodiversidade da região. Segundo a pesquisa, liderada pelo paleoecologista Jonathan Gordon, do Centro Leverhulme para Biodiversidade do Antropoceno na Universidade de York, os registros de pólen europeu mostram mudanças drásticas na composição das plantas ao longo daquele período tumultuado.

De acordo com fontes da pesquisa, mais de 100 registros e cerca de 4.600 amostras de pólen foram analisados, abrangendo áreas que vão desde as terras baixas na França até os Alpes Suíços e o sudoeste do Reino Unido. Os resultados indicam que, durante os picos de crise da Peste Negra, a população diminuiu e houve uma redução na atividade agrícola, refletida na diminuição do pólen de cereais como trigo, cevada e centeio — culturas essenciais na alimentação medieval. Como consequência, esses registros de culturas básicas tornaram-se muito menos frequentes nos ambientes estudados.

Segundo Gordon, a análise evidencia que as mudanças na paisagem, incluindo a diminuição na produção agrícola, contribuíram significativamente para o declínio geral da biodiversidade. Ele afirmou: "Descobrimos um declínio na biodiversidade em geral, impulsionado pela redução das áreas cultivadas. Em regiões onde a produção de alimentos caiu, a biodiversidade diminuiu cerca de 40%." Após aproximadamente 150 anos, com o início da recuperação populacional e uma retomada na perturbação das paisagens, a biodiversidade começou a subir, atingindo níveis ligeiramente superiores aos pré-crise.

Especialistas como a agroecologista Erle Ellis, da Universidade de Maryland, que não participaram da pesquisa, destacam que a relação entre ações humanas e biodiversidade é complexa. Em entrevista à Live Science, ela comentou que muitas pessoas acreditam que a atuação humana reduz apenas a quantidade de espécies nos campos, mas a realidade é bem mais intricada. Em ambientes com uma diversidade de culturas humanas, o mosaico de diferentes usos da terra pode na verdade sustentar mais espécies do que áreas homogêneas.

Assim, Gordon reforça que a ação humana, durante a crise da Peste Negra, também refletiu na biodiversidade ao transformar o uso da paisagem, com características naturais como florestas antigas, charnecas, lagos e áreas secundárias permanecendo ao lado das regiões afetadas pelas mudanças na agricultura. Ainda que alguns detalhes ainda não estejam completamente confirmados, a pesquisa revela um elo intrigante entre o impacto social e ecológico da maior crise do século 14 na Europa.

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O que sabemos?

  • A Peste Negra afetou a biodiversidade na Europa.
  • Redução na agricultura durante a crise foi registrada por estudos.
  • Diminuição de plantas cultivadas como trigo e cevada nas árvores de pólen.
  • Recuperação populacional ocorreu após 150 anos, impactando a biodiversidade.
  • A relação entre ação humana e biodiversidade é complexa, com impacto positivo em ambientes diversificados.

Fontes

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