Descoberta revela que pequenos toques podem ajudar na recuperação de corais branqueados
Experimentos promissores trazem esperança para a preservação dos recifes diante das mudanças climáticas
Pesquisadores da Califórnia descobriram que fragmentos de coral saudável podem acelerar a recuperação de corais branqueados ao serem tocados. Embora ainda em estágio experimental, a técnica oferece pistas para futuras estratégias de proteção contra o aumento de ondas de calor nos oceanos.
Um avanço surpreendente na ciência oceânica chamou a atenção de pesquisadores na Califórnia, segundo informações divulgadas por uma fonte especializada. Experimentos realizados por um grupo de cientistas demonstraram que pequenos fragmentos de coral saudável conseguem ajudar na recuperação de corais afetados por branqueamento apenas pelo contato físico. Essa descoberta, considerada inovadora, foi feita em um laboratório na Califórnia, onde o doutorando em ciências oceânicas, Danny Collins, observou que um fragmento de coral saudável conseguiu curar outro doente após tocá-lo, num processo que leva semanas, ao contrário dos meses na natureza.
Os corais estudados foram espécimes da espécie Pocillopora damicornis, conhecido como coral-couve-flor. Ainda de acordo com a mesma fonte, a recuperação se deu apenas nos casos em que os fragmentos eram geneticamente iguais, ou seja, clones. Caso os pólipos apresentassem diferenças genéticas, a possibilidade de rejeição tornava o procedimento inviável. Os experimentos também mostraram que essa técnica não pode ser facilmente aplicada em larga escala no oceano, já que manter pedaços de coral encostados por vários dias seria difícil de fazer.
Segundo os pesquisadores, a rápida recuperação acontece devido à migração de algas, que vivem nos tecidos do coral e fornecem nutrientes por fotossíntese. Quando o coral fica sob estresse por altas temperaturas — fenômeno agravado pelas mudanças climáticas e pelo fenômeno El Niño — essas algas deixam o tecido, deixando o coral branqueado e vulnerável. No entanto, no experimento, a presença de coral saudável próximo possibilitou a transferência de algas, acelerando o processo de recuperação, que ocorreu em até sete semanas na experiência. Ainda assim, é importante frisar que os cientistas alertam que o método não é uma cura definitiva, pelo menos por enquanto. Ainda não há confirmação de que a técnica possa ser aplicada em ambientes naturais sem riscos ou limitações.
O impacto do branqueamento de corais é grande, visto que eles representam cerca de metade da cobertura de recifes no planeta desde os anos 1950, afetando ecossistemas inteiros, a biodiversidade marina, além de reduzir a proteção costeira contra tempestades. Com o aumento previsto de eventos de água quente nos próximos meses, devido às condições do fenômeno El Niño, espera-se que muitos recifes fiquem ainda mais vulneráveis. Assim, as descobertas recentes oferecem uma esperança e um possível caminho para melhorar a resistência dos corais às mudanças climáticas.
O que sabemos?
- Pesquisadores na Califórnia descobriram que tocando pequenos fragmentos de coral saudável podem ajudar na recuperação de corais branqueados.
- O método envolveu apenas uma espécie, a Pocillopora damicornis, e só funciona quando os fragmentos são geneticamente compatíveis.
- A recuperação ocorre em cerca de sete semanas, mais rápido do que na natureza.
- A técnica ainda é experimental e sua aplicação em larga escala no oceano apresenta limitações.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





