Hackers chineses tentam obter informações sobre inteligência artificial por meio de e-mails falsos
Grupo suspeito usa identidade de especialistas e convites fraudulentos para roubar senhas de pessoas ligadas a pesquisas e políticas de IA
Segundo fontes de segurança cibernética, hackers chineses identificados como TA419 têm utilizado e-mails falsos, se passando por especialistas em IA e autoridades, para captar credenciais de pesquisadores e profissionais ligados a universidades, centros de pesquisa e setor de defesa nos EUA e no Japão.
Recentemente, uma operação de ciberespionagem envolvendo hackers chineses tem chamado a atenção por seu método de atuação sofisticado e silencioso. Segundo informações de uma fonte especializada em segurança digital, o grupo identificado como TA419 vem usando e-mails falsificados para tentar obter senhas de indivíduos ligados à pesquisa e à formulação de políticas de inteligência artificial (IA), com foco em instituições nos Estados Unidos e no Japão.
De acordo com a fonte, esses hackers têm direcionado suas campanhas desde pelo menos o início de 2025, em uma tentativa clara de acessar informações sensíveis relacionadas à tecnologia e às decisões políticas envolvendo IA. Como isca, os invasores têm enviado convites falsos para projetos de IA, muitas vezes se passando por especialistas renomados na área, o que inclui até mesmo a identidade de Lynne Parker, ex-vice-diretora do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. A estratégia é convencer os destinatários a clicarem em links que direcionam para páginas fraudadas, criadas especificamente para capturar suas senhas.
Um dos alvos identificados pela Reuters foi um ex-integrante do governo norte-americano que atualmente dirige um centro de estudos na Universidade da Pensilvânia. Segundo a reportagem, ele recebeu uma mensagem parecida com as que são enviadas por Parker, convidando-o a participar de um projeto sobre políticas de IA. O profissional, desconfiado, foi verificar com colegas, o que fez com que percebesse que alguém estava usando indevidamente a identidade da ex-funcionária. A própria Parker confirmou à Reuters que duas pessoas receberam mensagens suspeitas em seu nome no início de julho, reforçando a possibilidade de uma tentativa de ciberespionagem.
Especialistas em segurança, como a empresa Proofpoint, explicaram que os ataques se baseiam em programas maliciosos utilizados pelos invasores, além de uma infraestrutura de internet específica, que indica uma possível ligação com objetivos de coleta de informações de inteligência. Ainda segundo a empresa, esses elementos coincidiriam com interesses de espionagem por parte da inteligência chinesa. Segundo a fonte, a campanha atingiu uma quantidade limitada de pessoas, incluindo menos de dez indivíduos ligados a organizações de pesquisa e decisão política, o que sugere uma abordagem seletiva voltada a informações estratégicas.
Ao comentar a motivação por trás da operação, a própria Lynne Parker afirmou que o episódio estaria relacionado à rivalidade global entre Estados Unidos e China. Ela disse que "os Estados Unidos e a China estão em uma competição em torno da IA. Tentar fazer com que pessoas envolvidas nas políticas de IA revelem informações sobre seus planos nessa área — se esse era de fato o objetivo — não é surpreendente". Apesar da negação formal de Pequim quanto à realização de operações de ciberespionagem, o caso demonstra ouso de artifícios aparentemente legítimos, como convites e identidades falsas, para obter acesso a dados sensíveis. Assim, a fase de exploração às relações profissionais e a confiança entre especialistas vira uma estratégia para chegar a informações que possam influenciar as decisões políticas norte-americanas no campo da inteligência artificial.
O que sabemos?
- Hackers chineses usam e-mails falsos para roubar senhas de cientistas e profissionais ligados a IA.
- Foram identificadas tentativas de phishing desde 2025, com foco em EUA e Japão.
- Invasores se passam por especialistas, incluindo Lynne Parker, ex-vice-diretora da Casa Branca.
- Campanha atingiu menos de dez pessoas, com objetivos provavelmente de espionagem política.
- A suspeita é de conexão com atividades da inteligência chinesa, segundo especialistas.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada




