Estudo revela que elefantes africanos ajustam seus sons durante encontros e decisões em grupo
Análise de gravações de quase quatro décadas mostra como esses mamíferos coordenam suas vocalizações em momentos específicos
Pesquisa inédita mostra que elefantes ajustam seus sons em reencontros e ao tomar decisões coletivas, usando técnicas que podem facilitar o monitoramento remoto. O estudo analisou quase mil gravações feitas ao longo de 36 anos no Quênia.
Um estudo recente publicado na revista científica 'Scientific Reports' revela que os elefantes africanos ajustam suas vocalizações ao se comunicarem, especialmente durante reencontros e diante de decisões que envolvem o grupo. Segundo os pesquisadores, esses animais utilizam uma forma complexa de comunicação por sons graves, chamados de rumores, que podem inclusive estar abaixo do limite da audição humana.
A pesquisa analisou 902 gravações feitas entre 1986 e 2022, capturando a comunicação de 84 elefantes de diferentes famílias no Parque Nacional de Amboseli, no Quênia. Os sons gravados mostram que cerca de 60% das vocalizações ocorrem em coro, ou seja, vários animais vocalizam ao mesmo tempo, o que dificultou sua análise até então. Para superar esse desafio, os cientistas empregaram técnicas de aprendizado de máquina para identificar padrões nesses coros complexos e avaliar em que situações eles aconteciam.
Ao analisar seis tipos de interação, os pesquisadores observaram que, em três ocasiões específicas, as vocalizações dos elefantes se tornaram progressivamente mais semelhantes entre si. Essas situações incluem tentativas de manter contato quando os indivíduos estavam afastados, a organização de movimentos futuros do grupo e o reencontro após separated. Segundo os autores, essa convergência nas vocalizações pode facilitar a coordenação coletiva das ações dos animais, embora ainda não se tenha confirmado que eles tomem decisões de forma consciente ou deliberada baseando-se nos sons.
A importância do estudo está na possibilidade de, futuramente, identificar ações dos grupos de elefantes a partir do som, o que poderia facilitar o monitoramento remoto desses animais e contribuir para o mapeamento de suas rotas, além de promover uma convivência mais harmoniosa com comunidades humanas na região. Apesar de os resultados ainda não serem conclusivos quanto à intenção deliberada de decisão conjunta, a pesquisa reforça o papel da comunicação vocal na organização social dessas criaturas.
Segundo os autores, compreender esses padrões ajuda a entender melhor como os elefantes se relacionam e se movimentam, além de abrir portas para métodos não invasivos de estudo e proteção desses animais. A pesquisa ainda aguarda confirmações adicionais e a possibilidade de ampliar esses testes para outros ambientes e populações, mas já aponta para uma comunicação mais sofisticada do que se imaginava anteriormente.
O que sabemos?
- Elefantes africanos ajustam seus sons em reencontros e decisões em grupo.
- A análise foi baseada em 902 gravações de 84 elefantes no Quênia, entre 1986 e 2022.
- Cerca de 60% das vocalizações ocorrem em coro, dificultando sua análise.
- Uso de aprendizado de máquina permitiu identificar padrões nos coros complexos.
- Situações de maior ajuste nas vocalizações incluem contatos à distância, organização de movimentos e reencontros.
Fontes
- G1 imprensa




