Estudo revela dificuldades de jovens em reconhecer abuso digital em relacionamentos
Comportamentos considerados sinais de afeto podem esconder formas de violência facilitadas por tecnologia
Um estudo internacional, conduzido em dez países, aponta que jovens de 16 a 24 anos têm dificuldades em perceber quando estão sendo vítimas de abuso digital, uma prática cada vez mais comum nos relacionamentos.
Segundo uma análise recente, muitos jovens entre 16 e 24 anos têm dificuldades em identificar comportamentos considerados abusivos em seu relacionamento online, especialmente aqueles ligados ao controle digital. A pesquisa, conduzida pela psicóloga Nina Jane Patel e publicada no Journal of Online Trust and Safety, revela que ações como compartilhar localização, entregar a senha do celular e responder às mensagens em poucos minutos são vistas por esses jovens como sinais de atenção e carinho, e não de manipulação ou abuso.
A investigação, realizada entre abril e maio de 2026, entrevistou especialistas de dez países diferentes – incluindo Brasil, Estados Unidos, França, Suécia, Indonésia, entre outros. Segundo a fonte, independentemente do país, o sentimento predominante é que muitos jovens não associam essas ações ao que a especialista chama de violência entre parceiros íntimos facilitada pela tecnologia (TFIPV). Essa prática envolve o uso de celulares, redes sociais, aplicativos de mensagens, rastreamento de localização e até inteligência artificial para vigiar, coagir ou controlar o parceiro, muitas vezes sob a justificativa de cuidado ou amor.
De acordo com o relato de uma representante de uma ONG dos EUA, a diretora executiva de uma organização fundada para combater o assédio sexual universitário, muitos estudantes chegam a esses grupos com dúvidas, e não com denúncias formais. Ela explica que, para eles, o fato de um parceiro querer saber onde estão frequentemente pode parecer algo natural, especialmente porque compartilhar localização com amigos é uma prática comum. Como essa ação é vista como um sinal de interesse, ela acaba sendo interpretada como algo normal, o que dificulta a percepção de eventual abuso.
Outro ponto levantado na pesquisa é que, em países como África do Sul, jovens entregaram senhas e informações pessoais a namorados sob a crença de que aquilo seria prova de amor. Para uma jovem ouvida pelo estudo, acreditar que entregar a senha do celular ou de redes sociais constitui uma demonstração de carinho é uma prática normal na idade, muitas vezes influenciada pelo comportamento dos pais, que costumam rastrear localizações, conferir mensagens ou pedir senhas sob o argumento de segurança. Assim, quem está do lado de fora entende que quem ama não tem nada a esconder, formando uma base para comportamentos de controle que, anos depois, podem ser também cobrados por parceiros como sinal de dedicação.
Especialistas ouvidos na pesquisa reforçam que há uma transferência dessa lógica desde a infância, com os pais ensinando as crianças a se controlarem de forma inadvertida. Uma representante da organização sueca 1000 Möjligheter afirmou que
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada




