Astrônomos utilizam telescópio Webb para estudar colisões cósmicas semelhantes às que moldaram a Lua
Novas observações revelam detalhes de sistemas estelares jovens e suas colisões violentas
Pesquisadores analisam discos de detritos em estrelas jovens, descobrindo sinais de colisões de alta energia que podem ajudar a entender a formação planetária.
Um estudo recente divulgado pela NASA revelou que o telescópio espacial James Webb está ajudando astrônomos a compreender melhor as colisões de alta energia que ocorrem em sistemas estelares jovens. Essas colisões, semelhantes à que há bilhões de anos provavelmente formou a Lua, são fundamentais para entender o processo de formação de planetas e a evolução de ambientes cósmicos complexos.
Segundo a NASA, durante a história inicial do sistema solar, uma grande colisão com um objeto do tamanho de Marte, chamado Theia, teria vaporizado grande parte das rochas terrestres e lançado partículas ao espaço, formando a Lua. Agora, com o Webb, pesquisadores estão explorando outros sistemas estelares similares, que mostram sinais de perturbações profundas, indicando colisões violentas e redistribuição de materiais ao redor das estrelas.
Até então, a maioria dos estudos sobre discos de poeira ao redor de estrelas jovens focava em ambientes mais tranquilos, mas o novo foco é em uma classe rara de discos, chamados de discos de detritos extremos. Esses ambientes contêm uma quantidade incomum de poeira quente próxima à estrela, semelhante às regiões onde rochas se formam em nosso sistema solar. A equipe liderada pela astrônoma Kate Su, do Space Science Institute, em Boulder, nos Estados Unidos, identificou e analisou 21 desses discos, usando dados do Spitzer e do Webb.
Segundo Kate Su, esse é o primeiro levantamento suficiente para compreender essa subcategoria de discos, que até então permanecia pouco conhecida. Ela explicou que esses discos apresentam três características principais: partículas de poeira menores do que em discos normais, alta concentração de poeira quente e variações irregulares na luminosidade detectadas no espectro infravermelho médio. Além disso, a equipe conseguiu classificar esses discos em duas categorias principais, com base na composição mineralógica: alguns ricos em sílica, como vidro vulcânico, e outros pobres nesse mineral, como o forsterita, que lembra areia verde encontrada em praias de Havaí.
A presença desses minerais ajuda a entender o tipo de colisão que teria ocorrido. Discos ricos em sílica sugerem impactos mais explosivos, semelhantes a erupções vulcânicas, enquanto os outros podem indicar colisões diferentes. Para Agnes Kospal, do Observatório Konkoly, na Hungria, que também participou da pesquisa, a possibilidade de identificar essas particularidades só foi possível graças ao poder do Webb, que proporcionou dados de alta definição sobre a composição e a variabilidade dessas poeiras cósmicas.
O que sabemos?
- NASA usou o telescópio Webb para estudar colisões em sistemas estelares jovens
- Discos de detritos extremos são raros, representando cerca de 1% das estrelas jovens
- Esses discos têm poeira quente, partículas menores e variações de brilho irregular
- Dados indicam que eles podem ser classificados por composição mineralógica em sílica-rica ou pobre
Fontes
- NASA fonte oficial




