Estudo com nova droga mostra promessas e desafios no combate ao peso e ao diabetes
Retatrutida, medicação experimental, reduz peso e melhora controle glicêmico, mas ainda não possui aprovação oficial para uso
Uma pesquisa recente revela que o medicamento retatrutida, aplicado semanalmente, pode ajudar a diminuir peso e controlar o açúcar no sangue em pessoas com obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, a substância ainda está em fase de estudos e não foi aprovada em nenhum país.
Uma nova medicação chamada retatrutida tem chamado atenção no mundo da ciência por seus efeitos promissores no peso e na glicose de pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade. Segundo informações apresentadas no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, realizado em Milão, e publicadas na revista The Lancet, os resultados de um estudo clínico indicam que o remédio, ainda não aprovado oficialmente, pode promover uma significativa perda de peso e melhorias no controle glicêmico.
De acordo com a fonte, a pesquisa envolveu 1.152 adultos com essas condições, que receberam diferentes doses do medicamento, aplicado uma vez por semana. Os resultados demonstram que quanto maior a dose, maior a redução de peso, chegando, na dose de 12 mg, a uma média de 27,5 kg de perda em indivíduos com maior grau de obesidade. Para esse grupo, a diminuição média no peso foi de 23,4%, e cerca de 60% dos participantes já estavam com índice de obesidade abaixo do limite considerado para diagnóstico após o tratamento de 80 semanas.
O estudo também apontou melhorias no controle da glicose. A hemoglobina glicada, exame que avalia a média do açúcar sanguíneo nos últimos três meses, caiu aproximadamente 1,5 ponto percentual em todas as doses testadas. Na dose mais alta, quase 80% dos pacientes ficaram abaixo do nível diagnóstico de diabetes, e cerca de 40% atingiram uma faixa considerada normal. Além de glicose, outros parâmetros relacionados à saúde cardiovascular apresentaram sinais positivos na dose de 12 mg, incluindo melhorias em exames de gordura no sangue, inflamação, pressão arterial e medidas da cintura.
Entretanto, os pesquisadores alertam que ainda não há como afirmar que a retatrutida previna eventos como infartos, AVC ou doenças renais, pois são necessários estudos específicos para essa finalidade. Além disso, os efeitos adversos também despertam atenção: a incidência de diarreia, náusea e vômito foi maior nas doses mais altas, sendo que a disestesia – sensação anormal na pele como formigamento ou ardência – foi uma reação comum, especialmente nas doses superiores a 4 mg. Algumas pessoas também relataram pressão baixa e infecção urinária, levando à interrupção do tratamento em alguns casos. Segundo a fonte, esses problemas estão sob investigação, e a causa da alteração na sensibilidade da pele ainda não foi totalmente explicada.
Outra informação importante é que o desenvolvimento da medicação ainda não foi concluído. A companhia responsável, a Eli Lilly, planeja solicitar a aprovação da retatrutida nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o medicamento só pode ser recebido por voluntários em estudos clínicos, e as canetas de aplicação vendidas fora dessas pesquisas não garantem a mesma segurança, eficácia ou composição observadas nos estudos científicos. Por enquanto, trata-se de uma potencial revolução que ainda precisa de mais comprovação e regulamentação, e os efeitos colaterais, especialmente os mais frequentes, continuam sendo avaliados pelas equipes de pesquisa.
O que sabemos?
- Retatrutida aumenta a sensação de saciedade e age sobre o glucagon para gastar energia.
- Em estudos, a dose de 12 mg promove uma perda média de 27,5 kg em pacientes obesos.
- A medicação melhora o controle da glicose, com quase 80% dos pacientes ficando abaixo do nível de diagnóstico de diabetes na dose mais alta.
- Efeitos colaterais comuns incluem diarreia, náusea, vômito e disestesia, principalmente nas doses maiores.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





