Ciência

Estudo da NASA revela como água, ar e gelo movimentam o centro de massa da Terra

Em apuração ?

Mudanças na distribuição de massa do planeta influenciam precisão de medições geofísicas

Vídeo: Olhar Digital

Pesquisadores da NASA identificam que oscilações no centro de massa da Terra, provocadas por água, ar e gelo, afetam sistemas de navegação e medições de elevação.

Um estudo recentemente publicado no Geophysical Journal International pela NASA trouxe à tona como fenômenos como água, ar e gelo deslocam o centro de massa da Terra, exercendo impacto direto na precisão de sistemas de navegação por satélite e medições topográficas. Segundo a pesquisa, essas oscilações são causadas por variações na distribuição de massa do planeta, que não é exatamente uma esfera rígida e uniforme, devido ao movimento contínuo de água, gelo e ar.

Pesquisas anteriores estimaram diferenças na posição do centro de massa com valores de até 0,27 polegada (7 milímetros), entre medições feitas em 2017 e 2023, uma variação quase tão grande quanto o próprio movimento que se busca medir. O estudo detalha que, enquanto uma esfera perfeita não apresentaria deslocamento, a Terra real possui grandes quantidades de água e gelo, além da atmosfera, que se deslocam sazonalmente. Por exemplo, em março, quando a neve na América do Norte e na Eurásia atinge seu pico, o centro de massa se desloca cerca de 3 milímetros em direção ao Polo Norte. Ainda de acordo com a publicação, em abril, a água da chuva no rio Amazonas, que chega a 2.4 milhapteladas (gigatoneladas), provoca um deslocamento de 2,2 milímetros em direção à América do Sul.

Durante os meses de agosto a outubro, o derretimento do gelo e o aumento das chuvas nos oceanos contribuem para o movimento do centro de massa na direção do Pacífico Sul, cuja extensa dimensão amplifica esses efeitos. Além disso, o estudo reforça que a participação da atmosfera também é significativa nesse movimento, sendo que as mudanças de temperatura e densidade ao longo do ano afetam a posição do centro de massa. Utilizando modelos avançados do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts, os pesquisadores calcularam que, por volta de 21 de dezembro, o ar frio do inverno desloca o centro de massa sobre a Arábia, Ásia e norte da África, enquanto em 21 de junho o deslocamento ocorre sobre a América do Sul e África do Sul.

Para medir essas pequenas oscilações, satélites como os LAGEOS 1 e 2, lançados em 1976 e 1992, vêm sendo utilizados, já que sua órbita é influenciada gravitacionalmente pelo centro de massa do planeta. Esses satélites, que possuem cerca de 408 quilos e prismas refletores, são monitorados por estações terrestres de mais de 20 países através de rastreamento a laser. A novidade da pesquisa está na combinação de técnicas, como o rastreamento a laser, o uso do GPS e dados de outros satélites em órbita baixa, que promovem uma medição mais precisa, levando em conta também a deformação da crosta provocada pelo peso do gelo e da água, além do movimento das próprias estações terrestres.

De acordo com Donald Argus, geocientista do Jet Propulsion Laboratory (JPL) que liderou o desenvolvimento do método, a estimativa do movimento anual do centro de massa foi reduzida à metade em relação ao que se acreditava há oito anos. Para ele, os resultados sugerem que a quantidade de água e ar em movimento entre os hemisférios é menor do que se estimava anteriormente, o que tem implicações importantes para a precisão dos sistemas de navegação e o entendimento do planeta. Ainda, a pesquisa reforça a importância de compreender essas oscilações, que, embora pequenas, influenciam diretamente a Galileo e outros sistemas de posicionamento global. Essas informações precisam ainda ser confirmadas por outros estudos, já que alguns detalhes ainda não foram oficialmente divulgados pelos órgãos envolvidos, e não há divergências aparentes até o momento.

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O que sabemos?

  • Movimentos do centro de massa da Terra são causados por água, ar e gelo.
  • Diferença em medições anteriores foi de até 0,27 polegada (7 mm).
  • Oscilações podem chegar a vários milímetros, dependendo da estação e do fenômeno.
  • Satélites como LAGEOS são usados para detectar essas mudanças.

Fontes

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