Cientistas podem ter desvendado o mistério dos jatos dos buracos negros
Nova pesquisa usa radiotelescópios para entender quando esses corpos cósmicos liberam energia de forma explosiva
Estudo revela que buracos negros supermassivos produzem jatos mais intensos em momentos específicos do seu ciclo de alimentação, esclarecendo um fenômeno que há tempos intrigava astrônomos.
Cientistas podem ter encontrado uma resposta para um dos mistérios mais intrigantes do universo: o momento exato em que buracos negros emitem jatos de energia após se alimentarem de estrelas. Segundo uma publicação na revista Nature Astronomy, uma equipe liderada por Adelle Goodwin, astrofísica da Curtin University, na Austrália Ocidental, analisou um conjunto de eventos que envolvem a destruição de estrelas por buracos negros supermassivos, localizados no centro de galáxias. Esses objetos possuem massas que variam de centenas de milhares a bilhões de vezes a do Sol e são conhecidos por seu horizonte de eventos, o ponto além do qual nem luz, nem matéria, conseguem escapar de sua gravidade.
Segundo Goodwin, para chegar ao horizonte de eventos, uma estrela precisa passar muito perto do buraco negro, mas também observa que esse evento ocorre a uma distância na qual parte da estrela é destruída, sem ser completamente engolida. Essa destruição resulta, em algumas ocasiões, na emissão de jatos energéticos que podem influenciar até a evolução de uma galáxia inteira. A equipe analisou 20 eventos de perturbação das marés — fenômenos que acontecem quando estrelas passam perto demais de um buraco negro e são degradadas por sua força gravitacional. Para acompanhar a propagação desses jatos, os pesquisadores utilizaram radiotelescópios, pois essa frequência de ondas permite visualizar os movimentos desses fluxos em expansão no espaço.
A novidade do estudo é que os cientistas identificaram que os maiores jatos de energia ocorrem em dois momentos específicos do ciclo de alimentação dos buracos negros. O primeiro ocorre quando o buraco negro está consumindo matéria em uma velocidade elevada, quase no limite de sua capacidade máxima de ingestão. O segundo momento, pouco tempo depois, geralmente entre centenas e milhares de dias, é marcado por uma redução na taxa de matéria absorvida para apenas cerca de 2% do máximo possível. Essa constatação desafia a compreensão anterior, na qual a emissão de jatos parecia de difícil previsão, já que os intervalos entre eles variavam de um a cinco anos após a destruição da estrela.
Embora esses fenômenos sejam mais comuns em buracos negros supermassivos no centro das galáxias, o estudo também aponta que um comportamento semelhante foi encontrado em buracos negros de massa estelar, entre 10 e 50 vezes a massa do Sol, segundo informações divulgadas por uma publicação brasileira — ainda sem confirmação oficial de outras fontes. A descoberta reforça a ideia de que esses jatos, muitas vezes chamados de 'arroto' dos buracos negros, podem estar ligados a ciclos específicos de alimentação, ajudando a explicar por que eles aparecem de forma tão variável no universo.
O que sabemos?
- Buracos negros podem emitir jatos energéticos em momentos específicos do seu ciclo de alimentação.
- Esses jatos são mais poderosos quando o buraco negro consome matéria em alta velocidade, ou cerca de 2% da sua capacidade máxima de ingestão.
- Estudo analisou 20 eventos de destruição de estrelas por buracos negros supermassivos usando radiotelescópios.
- Jatos se manifestam geralmente entre centenas e milhares de dias após a destruição da estrela.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





