Ciência

Estudo revela que pressões do dia a dia podem influenciar velocidade dos motoristas

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Pesquisa com mais de 1,5 mil condutores aponta fatores psicológicos e sociais que afetam respeito às sinalizações viárias

Motorista em carro urbano, símbolo de comportamento ao volante
Imagem: Jornal da USP

Uma pesquisa conduzida pela Fundação Mapfre em parceria com o Senatran e universidades brasileiras mostra que o estresse cotidiano e o círculo social influenciam na decisão de respeitar limites de velocidade, aumentando o risco de acidentes.

Uma pesquisa inédita, conduzida pela Fundação Mapfre em parceria com o Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), revelou que fatores psicológicos, sociais e a pressão do dia a dia podem impactar diretamente o comportamento dos motoristas ao volante. Com a participação de mais de 1.540 condutores de diferentes regiões do Brasil, o estudo aponta que questões como o medo de se atrasar e a rotina acelerada têm potencial para diminuir a intenção de respeitar os limites de velocidade estabelecidos nas vias urbanas.

Segundo o professor Cassiano Isler, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), o objetivo principal do estudo foi entender como o círculo social, experiências anteriores e aspectos psicológicos influenciam a disposição dos motoristas em reduzir a velocidade. Para isso, os pesquisadores apresentaram diferentes cenários nas cidades aos participantes e questionaram qual velocidade eles adotariam em cada situação, incluindo fatores como sinalização, características das vias e presença de pedestres. Essas mudanças permitiram avaliar a real intenção dos motoristas de respeitar limites, destacando como o comportamento pode variar dependendo do contexto.

De acordo com o levantamento, muitos condutores não desrespeitam as regras por desacordo com elas, mas sim por fatores como a correria do cotidiano e a influência do grupo social. Ainda não há confirmação de que esses resultados sejam universais, já que o estudo ainda aguarda validações de outras fontes. Contudo, uma análise importante apontada pelos pesquisadores é de que a presença de sinalização clara e explícita – especialmente em vias locais, com estacionamento ou com interseções – aumenta a chance de o motorista respeitar os limites de velocidade.

O professor Thiago Bastos, também da UFPR e coautor da pesquisa, explicou que pequenas variações na velocidade, como cinco ou dez quilômetros por hora a menos, podem fazer grande diferença na segurança: “Cinco, dez quilômetros por hora a menos podem ser a diferença entre a vida e a morte”. Dados do Infosiga, do Detran-SP, mostram que apenas no Estado de São Paulo, em 2025, foram registradas 6.134 mortes no trânsito. Essa estatística reforça a importância de compreender os fatores que levam à velocidade excessiva, que é considerada uma das principais causas de acidentes fatais, especialmente na relação com pedestres.

Por fim, o estudo também indica que reduzir a velocidade no trânsito não depende apenas da intenção individual dos motoristas, mas também de políticas públicas e ações de gestão de trânsito, como campanhas de conscientização, fiscalização e melhorias na infraestrutura. Médidas como lombadas e travessias elevadas, por exemplo, podem influenciar o comportamento ao tornar mais fácil o respeito às regras, reforçando que um ambiente bem planejado é essencial para tornar as vias mais seguras para todos.

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O que sabemos?

  • Estudo realizado pela Fundação Mapfre, Senatran, Poli-USP e UFPR com mais de 1.5 mil motoristas.
  • Pressão do dia a dia e influência social afetam a intenção de respeitar limites de velocidade.
  • Sinalização clara aumenta a probabilidade de respeito às regras de velocidade.
  • Reduções pequenas na velocidade podem salvar vidas, especialmente de pedestres.
  • Dados da Segurança Viária de São Paulo mostram alta mortalidade no trânsito.
  • Medidas urbanísticas podem influenciar comportamento de motoristas.

Fontes

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