Ciência

Recriação do aroma de 3.500 anos revela segredos da mumificação no Egito Antigo

Em apuração ?

Pesquisa de tecnologia avançada consegue identificar fragrância utilizada em rituais mortuários de faraós há milênios

Representação da fragrância recriada na exposição do museu na Dinamarca
Imagem: CNN Brasil

Cientistas do Instituto Max Planck conseguiram recriar a essência do perfume usado na mumificação de uma mulher egípcia do século XV a.C., revelando detalhes sobre os ingredientes e o comércio da época.

Ao usar tecnologia de ponta para analisar restos mortais de uma nobre egípcia do século XV a.C., pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, conseguiram identificar e recriar a fragrância utilizada nos rituais de mumificação daquela época. A descoberta promove uma nova compreensão sobre os rituais antigos e as rotas comerciais que ligavam o Egito a diversas regiões do mundo, há mais de três mil anos.

Segundo a fonte, os cientistas focaram nos restos dos vasos canópicos que continham os órgãos embalsamados de Senetnay, uma mulher de alta posição social, cujo corpo foi desenterrado no Vale dos Reis em 1900. Dentro dessas peças, foram encontrados pequenos vestígios de uma substância balsâmica que foi aplicada durante o processo de mumificação. A equipe extraiu amostras dessas substâncias e realizou análises detalhadas, revelando que a composição molecular incluía cera de abelha, óleos vegetais, gorduras ricas e resinas variadas.

De acordo com a análise, essa mistura resultou na elaboração de um bálsamo com aroma amadeirado, resinosa, balsâmica e com uma sensação de calor intenso. Um dos ingredientes centrais foi o lentisco-pistache, uma nota olfativa que lembra paisagens da Grécia moderna. A fórmula foi escolhida entre vinte opções diferentes testadas pelos pesquisadores, e hoje ela pode ser apreciada por visitantes no Museu Moesgaard, na Dinamarca, que apresenta a fragrância em exposições, permitindo uma experiência sensorial que transporta para o Egito antigo.

Outro aspecto revelador da pesquisa é o significado de sua composição. Além de esclarecer detalhes dos rituais, a fórmula evidencia que as redes de comércio egípcias atingiam distâncias de até 4.000 quilômetros, incluindo plântulas de Europa Central, Sudeste Asiático e o Mediterrâneo, com o uso de insumos como a resina da árvore de goma damar, típica de florestas asiáticas. Se a presença desta resina for realmente confirmada, a descoberta reforça a teoria de que o Egito possuía uma logística globalizada, mesmo há mais de três mil anos.

Segundo a fonte, o processo de escolha da essência envolveu múltiplas combinações, mas uma fórmula definitiva destacou-se. Descrita como uma mistura complexa, ela combina notas amadeiradas, resinosa e balsâmica, refletindo um aroma quente e poderoso. A pesquisa ainda aguarda confirmações adicionais, já que a fonte aponta que a informação ainda não foi oficialmente confirmada por outras instituições além do citado instituto alemão.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores do Instituto Max Planck recriaram o aroma de uma mumificação egípcia do século XV a.C.
  • A fragrância foi obtida a partir de restos de vasos canópicos que guardavam órgãos de Senetnay.
  • A composição molecular inclui cera de abelha, óleos vegetais, gorduras e resinas, com destaque para a resina da árvore de goma damar.
  • A fórmula foi escolhida entre vinte combinações, resultando em um aroma amadeirado, resinosa e balsâmica.
  • A descoberta aponta que as rotas de comércio egípcias atingiam até 4.000 quilômetros, incluindo ingredientes do Sudeste Asiático e Europa.

Fontes

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