Estudo revela que a destruição do Sistema Solar pode acontecer muito mais rápido do que se imaginava
Pesquisadores alertam que o fim dos planetas pode ocorrer em um prazo bem mais curto devido a eventos turbulentos no Sol.
Um novo estudo internacional sugere que a estabilidade do Sistema Solar pode ser ameaçada por 'surtos' no processo de perda de massa do Sol, ocorrendo muito antes do esperado, possivelmente em poucos bilhões de anos.
Segundo uma pesquisa divulgada na revista científica The Astrophysical Journal Letters, pesquisadores alertam que a destruição do nosso Sistema Solar pode ocorrer até 100 vezes mais rápido do que a previsão tradicional. Os cientistas Konstantin Batygin e Jim Fuller, do Caltech, juntamente com Fred Adams, da Universidade de Michigan, argumentam que a perda de massa do Sol, que deve acontecer daqui a cerca de seis bilhões de anos, pode não ser um processo tranquilo, mas turbulento e marcado por 'surtos' imprevisíveis.
De acordo com essa nova hipótese, ao invés de perder sua massa de forma gradual e contínua, o Sol poderá expelir pequenas porções dessa massa de forma aleatória e em grande quantidade de eventos distintos — aproximadamente 4.600 - cada uma representando cerca de 0,01% de sua massa total, ou seja, cerca de 33 vezes a massa da Terra. Esses eventos, chamados pelos autores de 'surtos de massa', ocorreriam a uma velocidade de cerca de sete metros por segundo, o que, na prática, equivaleria a uma pessoa espirrando e se impulsionando na direção oposta ao ar expelido.
Utilizando dados do observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia, que monitorou sistemas binários de estrelas incluindo anãs brancas, os pesquisadores modelaram vários cenários de perda de massa do Sol. A conclusão foi que, em quase 80% das simulações mais realistas, os planetas externos do sistema solar começariam a cruzar suas próprias órbitas de forma inesperada já quando o Sol tivesse perdido cerca de 10% de sua massa. Isso poderia ocorrer muito antes do Sol se transformar oficialmente em uma anã branca, que é o último estágio de sua evolução, previsto para acontecer em aproximadamente 6 bilhões de anos.
Nos cenários mais pessimistas, ao término do processo de fase final do Sol, cerca de 40% das simulações indicam que o sistema externo já estaria em estado de caos, com órbitas das planetas desordenadas, apontando para uma futura disrupção massiva do sistema planetário. Ainda não há confirmação oficial de que esse cenário seja inevitável, e os estudos ainda estão em fase inicial, aguardando mais evidências e análises para respaldar essa hipótese que altera radicalmente as previsões anteriores sobre o fim do Sistema Solar.
Segundo os autores, essa descoberta reforça a complexidade dos processos cósmicos relacionados à destruição dos sistemas planetários e sugere que o fim pode estar mais próximo do que se pensava, apesar da aparente estabilidade a longo prazo.
O que sabemos?
- A perda de massa do Sol pode ocorrer de forma turbulenta, com milhares de eventos de ejeção de matéria.
- Cada evento pode expulsar cerca de 0,01% da massa solar, aproximadamente 33 vezes a massa da Terra.
- Esse processo pode fazer com que os planetas exteriores cruzem suas órbitas mais cedo do que o previsto.
- Estudos apontam que quase 80% das simulações indicam desordem do sistema solar antes do Sol virar uma anã branca.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada




