Ciência

Estudo revela que quase metade das espécies de corais dos recifes está ameaçada de extinção

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Mudanças climáticas e aquecimento dos oceanos estão destruindo os recifes de coral globalmente

Imagem próxima de recife de coral com diversos organismos marinhos
Imagem: G1

Pesquisa publicada na revista 'Nature' aponta que 44% das 774 espécies de corais construtores de recifes estão ameaçadas de extinção. O aquecimento dos oceanos é o principal fator de risco, com impactos especialmente graves na costa brasileira e no Atlântico.

Uma análise global recente revelou que quase metade das espécies de corais que formam os famosos recifes oceânicos estão ameaçadas de extinção, um alerta preocupante para a biodiversidade marinha. Segundo a pesquisa publicada na revista 'Nature', foram avaliadas 892 espécies de corais construtores de recifes, das quais, com dados disponíveis para 774 delas, 340 foram classificadas como ameaçadas. Dessas, 33 estão criticamente ameaçadas, 251 ameaçadas e 56 vulneráveis. A principal causa apontada pelos cientistas é o aumento da temperatura dos oceanos, resultado das mudanças climáticas, que provoca eventos de branqueamento e morte dos corais.

De acordo com os pesquisadores, o impacto do aquecimento dos mares é tão severo que mais de 90% das espécies em risco se enquadram nos grupos mais graves de ameaça. Ainda assim, os dados utilizados na avaliação vão até 2020 e não refletem o agravamento que poderia ter ocorrido nos anos seguintes, especialmente com os eventos de temperaturas recorde ocorridos entre 2023 e 2025. Os autores do estudo alertam que essa possível piora não foi completamente capturada na análise, o que sugere que a situação real pode ser ainda mais crítica.

Entre as regiões mais afetadas, destaca-se o Atlântico, onde metade das espécies de corais está ameaçada de extinção, uma proporção ligeiramente maior do que a registrada no Indo-Pacífico, de 43%. No Atlântico Sudoeste, o risco é especialmente alto na costa brasileira, sobretudo no Nordeste, devido ao endemismo — ou seja, à presença de espécies que só ocorrem ali. Pesquisadores salientam que, além do aquecimento, espécies de corais da família Acroporidae têm sido particularmente pressionadas, levando à substituição por espécies mais resistentes, o que tem consequências sobre a diversidade e a complexidade estrutural dos recifes coralinos.

Segundo um dos principais autores do estudo, David Obura, copresidente do grupo de especialistas em corais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), os resultados representam um sinal claro de que as ameaças ao ecossistema coralíneo estão se intensificando. Ainda assim, ele reforça que o quadro atual provavelmente é ainda pior do que os dados mostram, dado que os eventos extremos de temperatura de 2023 a 2025 ainda não foram totalmente incorporados na avaliação. O estudo reforça a necessidade de ações globais para conter o avanço das mudanças climáticas, que representam o maior risco para esses ecossistemas essenciais para a vida marinha e para a proteção das zonas costeiras.

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O que sabemos?

  • Quase 44% das espécies de corais construtores de recifes estão ameaçadas de extinção.
  • A avaliação inclui 774 espécies com dados confiáveis até 2020.
  • O aquecimento global é o principal fator de risco, causando branqueamento e morte de corais.
  • Metade das espécies do Atlântico está ameaçada, especialmente no Nordeste do Brasil.

Fontes

  • G1 imprensa
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