Estudo internacional revela potencial transformador para pacientes com falência múltipla de órgãos no fígado
Pesquisa envolvendo centros no Brasil e no mundo amplia esperança de sobrevivência após transplantes em casos críticos
Um estudo global, com participação de centros brasileiros, mostrou que pacientes em estado gravíssimo, com falência de dois a três órgãos devido a problemas no fígado, podem ter suas chances de sobrevivência significativamente aumentadas com o transplante. A pesquisa aponta uma melhora na taxa de sobrevida de mais de 60% em relação aos métodos tradicionais.
Pesquisadores brasileiros participaram de um estudo internacional que trouxe uma nova esperança para pacientes com condições graves do fígado e múltiplas falhas em órgãos vitais. Segundo informações de uma fonte que acompanha o estudo, a pesquisa envolveu 63 centros especializados de quatro continentes, incluindo três no Brasil, sendo um deles o Hospital das Clínicas de São Paulo. Este centro contribuiu com 99 dos 612 transplantes realizados ao redor do mundo, possibilitando avanços na compreensão do potencial de recuperação de pacientes considerados extremamente graves.
O cenário habitual era de desespero, especialmente para aqueles que, como Maria do Carmo Pereira da Silva, de 53 anos, tiveram uma rápida evolução da cirrose provocada por gordura no fígado e hepatite C, levando à falência de órgãos como rins e sistema nervoso central. Maria do Carmo relata sua experiência: “Eu fiquei todinha amarela, com falta de ar. Daí foi triste. Eu não conseguia andar daqui até ali, por falta de ar”, descreve a aposentada, que passou pelo transplante há quatro anos.
Outro caso emblemático é o de Moisés de Sousa Carrilho, de 53 anos, que enfrentou o risco de morte ao desenvolver cirrose causada pela hepatite C. Segundo ele, seu médico chegou a perguntar se estavam prontos para partir para um “tudo ou nada”, uma decisão que refletia a gravidade do seu quadro. Moisés revela que, após decidir pelo transplante, conseguiu uma nova chance de vida, algo que antes parecia inviável em sua condição extrema.
Antes do estudo, casos como esses eram considerados muito graves para receber um transplante, pois a expectativa de recuperação era mínima, normalmente abaixo de 20%. No entanto, a nova avaliação feita pelos pesquisadores mostrou que, mesmo na presença de falência de dois a três órgãos, a taxa de sobrevida passa de 70%, uma mudança significativa que pode salvar muitas vidas. Segundo o professor Wellington Andraus, do HCFMUSP, “a sobrevida passa aí de 10% a 20% para 70 a 80%, em uma mudança dramática na perspectiva de tratamento”.
O estudo também explorou alternativas diferentes, como o uso de fígado de doadores vivos na Ásia, devido à capacidade de regeneração do órgão. Apesar do avanço, os médicos alertam que o principal desafio hoje é ampliar a doação de órgãos, já que cerca de 50 mil pessoas aguardam na fila de espera, com mais de 2,3 mil quem necessitam de um fígado. Uma das estratégias apontadas é divulgar melhor os protocolos de cuidados em UTIs, para estabilizar rapidamente os pacientes e oferecer o transplante no momento mais oportuno, aumentando as chances de salvar vidas.
O que sabemos?
- Estudo internacional envolve 63 centros, incluindo 3 no Brasil.
- Hospital das Clínicas de São Paulo contribuiu com 99 transplantes.
- Pacientes em estado gravíssimo, com falência de dois a três órgãos, podem ter melhorias na sobrevida graças ao transplante.
- Taxa de sobrevida de pacientes nesses casos sobe de 10-20% para mais de 70% com a nova abordagem.
Fontes
- G1 imprensa





