Descobertas arqueológicas no Perú revelam uso de sementes em rituais antigos
Achados em Huaca Santa Ana apontam evidencia de práticas rituais envolvendo sangue na cultura Moche
Arqueólogos encontram sementes de ulluchu, rostos de argila e representações de alimentos em sítios do Norte do Peru, oferecendo novos insights sobre os rituais Moche.
Recentes escavações no sítio arqueológico Huaca Santa Ana, localizado no complexo de El Chaparral no Vale de Chicama, região de La Libertad, no norte do Perú, revelaram descobertas que podem ampliar o entendimento dos ritos praticados pela antiga cultura Moche, que floresceu entre os séculos 1 e 8 a.C. Segundo informações obtidas por meio de uma fonte ligada ao projeto de pesquisa, arqueólogos identificaram sementes de ulluchu, frutas frequentemente presentes na iconografia Moche, além de objetos cerâmicos e moldes de rostos humanos em argila.
O achado mais significativo, conforme explica a própria fonte, foi a presença de sementes de ulluchu que, segundo ela, “são anticoagulantes naturais”. Ainda de acordo com a mesma fonte, “essas sementes impedem a coagulação do sangue, mantendo o líquido fluido durante os rituais”, o que, na interpretação dos pesquisadores, indica que os praticantes daquela cultura utilizavam esses elementos para facilitar cerimônias que envolviam sangue, possivelmente ligados a sacrifícios ou rituais de sangue. A arqueóloga responsável pelo estudo destaca que “essas amostras de sementes são uma evidência clara de uso ritual, pois sem elas, o sangue coletado em cerimônias poderia secar ou ficar espesso”.
Além das sementes, o sítio revelou dez rostos de argila moldados e pintados. Cada um apresenta diferenças nos traços faciais, como variações nos olhos, narizes e ornamentos auriculares, formando um conjunto de verdadeiras representações individuais. Segundo a arqueóloga responsável, essa é uma descoberta única, pois “não há registros anteriores de rostos humanos moldados de argila e pintados na cultura Moche”, o que pode abrir novas possibilidades para compreender as técnicas artísticas e a forma como os antigos brasileiros representavam características humanas em suas obras.
Paralelamente, as escavações também trouxeram à luz dois objetos cerâmicos com representações de alimentos. Um deles exibe espigas de milho, enquanto o outro mostra porquinhos-da-índia perfurados por hastes de madeira, como se estivessem preparados para o consumo. A arqueóloga comentou que “cada porquinho-da-índia é espetado com um palito, dando a impressão de um porquinho frito”, uma representação que, segundo ela, ajuda a entender a relação dos Moche com seus alimentos, tanto agrícolas quanto animais utilizados em rituais ou em suas refeições.
De acordo com informações da mesma fonte, as pesquisas continuam e foram ampliadas para sítios como Garrapón e Licapa II, com o objetivo de entender melhor o desenvolvimento inicial da sociedade Moche e sua organização política e territorial. Ainda não há confirmação oficial de análises fitoquímicas ou botânicas em andamento, que poderão identificar com maior precisão a composição dessas sementes e sua origem geográfica, mas as descobertas já ampliam o quadro do que se sabe sobre as cerimônias antigas no Norte do Perú.
O que sabemos?
- Foram encontradas sementes de ulluchu com potencial anticoagulante.
- Foram descobertos dez rostos moldados em argila, pintados e com traços variados.
- Dois objetos cerâmicos representam alimentos: milho e porquinhos-da-índia.
- As descobertas fazem parte de um projeto de pesquisa em andamento há mais de duas décadas.
- A importância dos achados está na possibilidade de entender os rituais de sangue na cultura Moche.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





