Professores envelhecem e número de jovens na carreira de ensino diminui, aponta estudo
Dados indicam risco de crise no setor de educação devido ao envelhecimento do quadro docente
Pesquisa revela aumento expressivo no número de professores idosos e queda entre os mais jovens, agravando preocupação com reposição na educação básica.
Uma recente pesquisa do Instituto Semesp traz um alerta importante para o setor de educação no Brasil. Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (16), o número de professores com 60 anos ou mais mais que dobrou nos últimos oito anos, enquanto a quantidade de docentes jovens, com até 24 anos, caiu 31%. Essas mudanças geram preocupações sobre um possível ‘apagão’ de professores, ao passo que indicam uma crise silenciosa na formação e reposição de profissionais na educação básica.
Entre 2015 e 2023, o número total de docentes na rede de ensino médio cresceu 6,6%, o que, à primeira vista, pareceria positivo. Porém, ao analisar o perfil dessas turmas, fica claro que a situação não é tão otimista: o número de professores jovens na faixa de até 24 anos caiu de aproximadamente 17 mil para cerca de 12 mil, uma redução de 31,1%. Por outro lado, o contingente de professores com 60 anos ou mais saltou de 18 mil para 37 mil — aumento de 104,5%. Segundo a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, o maior desafio está na capacidade de formar, atrair e reter novos profissionais em ritmo compatível com as aposentadorias previstas para os próximos anos.
Um dos fatores que contribuem para essa situação é a baixa atratividade da carreira de professor. Dados da RAIS apontam que, em 2025, um professor do ensino médio recebia cerca de R$ 6,5 mil mensais, valor 20% inferior à média de trabalhadores com ensino superior completo, que era de R$ 8,1 mil. Em disciplinas específicas, como sociologia, a média salarial fica ainda abaixo, em torno de R$ 4.695. Além disso, as condições de trabalho também são apontadas como um entrave: de acordo com o Índice de Esforço do Inep, cerca de 41,4% dos professores de ensino médio cuidam de turmas entre 50 e 400 alunos, atuando em dois turnos, em diferentes escolas e em mais de uma etapa de ensino, o que aumenta o desgaste físico e emocional.
Outro aspecto relevante é a percepção dos estudantes sobre o retorno financeiro da profissão. Em países como Coreia do Sul e Austrália, os professores têm uma remuneração muito maior ao longo da carreira, o que torna a profissão mais atrativa. Na Coreia, por exemplo, o salário anual de um professor pode passar de US$ 37,8 mil no início até US$ 104,8 mil na fase mais avançada.
Para entender a capacidade de reposição na área, o Semesp criou a Taxa de Renovação Docente, que compara o número de professores com até 24 anos ao de professores com 60 anos ou mais. Quanto menor essa taxa, maior o risco de dificuldades na substituição de docentes experientes. Entre 2015 e 2023, o estudo apontou que a queda mais acentuada ocorreu nas disciplinas de Química, Educação Física, Física e Biologia. Por exemplo, a taxa de renovação de Química caiu de 1,77 para 0,42, indicando que há praticamente o dobro de professores mais idosos em relação aos jovens nessa área, o que aumenta o potencial de dificuldades futuras.
O que sabemos?
- O número de professores com 60 anos ou mais mais que dobrou entre 2015 e 2023.
- A quantidade de professores jovens (até 24 anos) caiu 31% no mesmo período.
- A remuneração dos professores do ensino médio é, em média, 20% menor que a de trabalhadores com ensino superior.
- A taxa de renovação de professores de Química reduziu-se de 1,77 para 0,42 entre 2015 e 2023.
Fontes
- G1 imprensa





