Diamante raro revela detalhes do interior da Terra e sua história
Cristais encontrados no Brasil oferecem insights inéditos sobre as profundezas do planeta
Pesquisadores analisaram diamantes que formaram em profundidades superiores a 300 km, trazendo informações sobre a composição e processos internos da Terra.
Um diamante excepcional encontrado no Brasil pode ajudar a desvendar os mistérios do interior da Terra, uma área até então difícil de estudar. Segundo informações de fontes ligadas à pesquisa geológica, esses cristais se formaram a mais de 300 quilômetros de profundidade, local onde a maioria dos diamantes tradicionais se originam, mas que ainda guarda muitas questões ausentes na ciência.
A descoberta ocorreu em Juína, no estado de Mato Grosso, onde, há aproximadamente 90 milhões de anos, erupções vulcânicas violentas transportaram esses minerais das profundezas da Terra até a superfície. Esses diamantes contêm inclusões que funcionam como verdadeiras cápsulas do tempo, capturando detalhes sobre as condições extremas sob as quais se formaram. Ainda de acordo com fontes, esses cristais possuem minerais presos em seu interior, entre eles goethita, hematita e magnetita, formando uma associação mineral incomum para esse nível do manto terrestre.
O estudo dessas inclusões revelou que a presença de goethita, um mineral comum na crosta terrestre, poderia indicar processos de transformação sob altas pressões e temperaturas. Experimentos realizados em condições extremas de compressão sugerem que, no ambiente do manto profundo, a goethita poderia se decompor em hematita e magnetita, liberando água e oxigênio para as rochas ao redor. Esses processos são importantes para entender como elementos como água e carbono são transportados para o interior do planeta, através do fenômeno conhecido como subducção, que ocorre quando placas oceânicas mergulham no manto para formar diferentes minerais subterrâneos.
Segundo os pesquisadores, essas informações reforçam a ideia de que minerais profundos podem funcionar como reservas de elementos essenciais, como água e carbono, desempenhando papel fundamental na dinâmica interna da Terra. Ainda não há confirmação oficial de que esses achados possam alterar as teorias atuais sobre a composição do manto, mas eles oferecem um olhar mais detalhado sobre a história geológica do planeta e suas transformações ao longo de milhões de anos.
Esse achado, ainda não confirmado oficialmente, é fruto de análises em um cristal de apenas alguns milímetros, submetido a uma avaliação detalhada por meio de tomografias tridimensionais de alta resolução, utilizando um acelerador de partículas localizado em Campinas. A descoberta é considerada muito relevante pelo potencial de ampliar o entendimento científico sobre as profundezas terrestres e os processos que moldam o planeta.
O que sabemos?
- Diamante formado a mais de 300 km de profundidade
- Encontrado em Juína, Mato Grosso, há cerca de 90 milhões de anos
- Contém minerais internos de goethita, hematita e magnetita
- Estudos sugerem processos de decomposição de minerais no manto profundo
- Pesquisas indicam transporte de água e carbono por subducção
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





