Ciência

Encalhes de sargaço no Brasil preocupam setor pesqueiro e turístico

Em apuração ?

Volume recorde de algas afeta praias do Norte e Nordeste, sem protocolo nacional de controle

Praia do Norte do Brasil com grande acúmulo de sargaço na areia
Imagem: G1

Grandes quantidades de sargaço pelágico chegam às praias brasileiras, prejudicando a pesca, o turismo e os ecossistemas marinhos. Ainda não há um protocolo oficial de resposta ao fenômeno.

Nas praias do Norte e Nordeste do Brasil, a chegada de grandes quantidades de sargaço, um tipo de algas pelágicas, tem chamado atenção tanto de moradores quanto de pesquisadores. Em março de 2025, foi registrado o maior volume de biomassa até então, chegando a aproximadamente 42,8 mil toneladas nas areias de Salinópolis, no Pará, conforme informa um estudo divulgado por uma fonte especializada. Este evento representou um recorde e mostrou que o país ainda não possui um protocolo nacional para lidar com o encalhe e decomposição dessas algas, apesar dos impactos que o fenômeno traz à atividade pesqueira e ao turismo.

De acordo com o pesquisador de pós-doutorado da Universidade de São Paulo envolvido na análise, mesmo com a mobilização de caminhões do governo estadual e da estrutura municipal, somente cerca de 4% da biomassa de sargaço foi retirada na ocasião. Ele explica que o Pará é um dos estados mais afetados, e que essa pouca remoção revela a falta de preparação dos municípios para eventos dessa magnitude. Ainda não se sabe ao certo as causas do aumento das arribadas de sargaço, mas pesquisadores apontam fatores como mudanças na circulação oceânica, influência dos ventos e aumento de nutrientes no mar como possíveis responsáveis. O fenômeno é relacionado ao Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, uma vasta faixa de algas que se estende por milhares de quilômetros desde 2011, reunindo milhões de toneladas de biomassa nos anos de pico.

Segundo fontes, há também indícios de que as mudanças climáticas possam influenciar o fenômeno, por meio do aquecimento dos oceanos que altera correntes, ventos e chuvas, modificando o fluxo de nutrientes. Contudo, o impacto do aquecimento global ainda não foi comprovado de forma definitiva e é objeto de estudos. O que se sabe é que, quando essas algas se acumulam em praias e começam a se decompor, há uma redução do oxigênio na água, o que prejudica peixes e outros organismos marinhos, além de atrapalhar as atividades de pesca. Além disso, a decomposição do sargaço gera mau cheiro e um excesso de matéria orgânica na faixa de areia, dificultando o uso turístico dessas áreas. Pode-se afirmar que esse fenômeno tem efeito direto na economia local, já que o turismo e a pesca, atividades essenciais na região, sofrem impacto.

Para os especialistas, a percepção rápida da população e da imprensa contrasta com a lentidão da documentação científica, que muitas vezes leva anos para consolidar dados e análises definitivas. Ainda não há previsões precisas sobre o padrão de ocorrência do sargaço, uma vez que os eventos não seguem uma frequência ou padrão constantes. Assim, um ano com grande volume de algas não indica necessariamente uma tendência de aumento contínuo. Enquanto isso, a equipe de pesquisadores reforça a necessidade de um sistema brasileiro de monitoramento que utilize dados de satélites, drones e relatos locais para prever os desembarques e orientar ações de resposta mais eficazes, minimizando os impactos ambientais e econômicos.

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O que sabemos?

  • Grande volume de sargaço chegou às praias do Norte e Nordeste do Brasil em março de 2025, com cerca de 42,8 mil toneladas em Salinópolis.
  • Apenas 4% da biomassa de sargaço foi removida na operação de limpeza, mesmo com reforço de caminhões e equipes locais.
  • O fenômeno é relacionado ao Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, que desde 2011 reúne milhões de toneladas de algae na região.
  • Pesquisadores não confirmam se as mudanças climáticas têm influência definitiva sobre o aumento do sargaço, embora haja indícios de participação indireta.

Fontes

  • G1 imprensa
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