Ciência

A internacionalização da ciência paulista avança com novos centros de pesquisa internacionais

Informações checadas ?

Iniciativas incluem parcerias na Europa, Ásia e Alemanha, fortalecendo o controle global do conhecimento no estado

Centro de pesquisa internacional no Brasil com representantes de diferentes países
Imagem: Jornal da USP

São Paulo reforça sua posição na ciência global com vários centros internacionais de pesquisa e uma estratégia de internacionalização que aposta em parcerias duradouras. A iniciativa visa atrair talentos e desenvolver projetos de longa duração, além de consolidar o estado como líder em inovação.

De acordo com um relatório recente divulgado pela Federação de Apoio à Ciência, a ciência paulista tem conquistado destaque no cenário internacional, sustentada por uma combinação de financiamento público-privado, tradição histórica e uma atuação coordenada entre universidades, institutos de pesquisa e empresas. Segundo fontes ligadas à instituição, a internacionalização da pesquisa no estado começou na década de 1970, com o objetivo de capacitar recursos humanos pelo envio de estudantes e pesquisadores ao exterior. Atualmente, porém, esse esforço evoluiu e passa por integrar os grupos de pesquisa às fronteiras globais do conhecimento.

Segundo Marco Antonio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e presidente da Fapesp, o estado de São Paulo é diferenciado no Brasil por ser o único onde o investimento privado em pesquisa e desenvolvimento supera o gasto do governo, além de ser o ente federativo com maior investimento em ciência e tecnologia. Ele explica que, hoje, internacionalizar a ciência não significa apenas enviar pesquisadores ao exterior, mas criar uma rede de cooperação duradoura, com o estabelecimento de centros de pesquisa no Brasil que abrigam instituições estrangeiras de destaque e promovem o diálogo científico global.

Entre as novidades anunciadas pela própria Fapesp e suas parceiras estão a instalação, no Brasil, de centros internacionais de pesquisa de renome. Ainda em 2024, terá início a operação do primeiro centro do Instituto Max Planck no país, dedicado às áreas de arqueologia e direito, localizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Na USP, ganha força o Centro Internacional de Pesquisa Transitions, vinculado ao CNRS da França, que abrange temas de transição digital, oceanos, imunologia e humanidades. Além disso, foi anunciado o projeto de um centro no Brasil do Institut Pasteur, na França, que recebeu convite do presidente Emmanuel Macron e deve abrir suas portas em 2024.

Segundo informações de fontes não oficializadas, na mesma linha, está em implantação na Unesp, em parceria com a Universidade Tsinghua, da China, um centro dedicado às tecnologias limpas, biorrefinarias e energia renovável. Essas iniciativas, segundo fontes da própria Fapesp, representam uma tentativa de ampliar a rede de centros internacionais no estado, promovendo a atração de pesquisadores e talentos de diferentes partes do mundo. Entre 2022 e 2026, a fundação aprovou quase 3.700 projetos de pesquisadores paulistas com grupos internacionais e concedeu mais de 7.100 bolsas de estudo.

Para entender a força dessa estratégia, ainda segundo fontes ligadas à Fapesp, mais de 1.800 lideranças científicas de fora do Brasil já escolheram o estado de São Paulo para instalar suas carreiras nos últimos 30 anos. O programa Jovem Pesquisador, que visa fixar talentos no estado, recebeu em seu edital do ano passado 198 propostas de pesquisadores que moravam há pelo menos dois anos fora do Brasil, de 31 países diferentes. Dessas, 36 projetos foram selecionados, além de oito cientistas de destaque, com carreiras consolidadas e de diversos países, que estão se radicando em São Paulo. A estratégia busca fazer do estado uma referência mundial em inovação, fortalecendo sua atuação na fronteira do conhecimento.

Publicidade

O que sabemos?

  • São Paulo investe mais em pesquisa privada do que pública.
  • A internacionalização da ciência paulistas começou na década de 1970.
  • Centro do Instituto Max Planck ao iniciar suas atividades no Brasil em 2024.
  • Projeto de centro de pesquisa na China está em implantação na Unesp.
  • Programa Jovem Pesquisador recebeu 198 propostas em 2025, de pesquisadores de 31 países.

Fontes

Publicidade