Ciência

Relatório revela recorde de calor nos oceanos em 2025 e suas implicações

Em apuração ?

Aquecimento acelerado dos mares traz riscos ambientais, como aumento do nível do mar e perda de gelo polar

Imagem do oceano com ondas de calor na superfície
Imagem: CNN Brasil

Segundo o 10º Ocean State Report, os oceanos atingiram seu maior nível de energia armazenada em 2025, indicando um avanço do aquecimento global

Segundo a 10ª edição do Ocean State Report, divulgado pelo Serviço Marinho Copernicus da União Europeia, o calor armazenado nos oceanos atingiu em 2025 seu maior nível já registrado, destacando um aquecimento acelerado que tem implicações sérias para o clima global. Os oceanos absorvem aproximadamente 90% do calor gerado pelas atividades humanas e cerca de um terço do carbono emitido, agravando o desequilíbrio climático. Ainda conforme o relatório, a temperatura da superfície do mar entre 1982 e 2025 aumentou a uma taxa de 0,12°C por década, e em 2025, ficou 0,49°C acima da média de 1981 a 2010, sendo o terceiro maior valor registrado até hoje.

As mudanças no clima estão levando ao aumento do nível do mar, que cresceu de maneira significativa nos últimos anos. Entre 1999 e 2025, esse aumento foi de aproximadamente 3,8 milímetros por ano, uma taxa que subiu para 4,2 milímetros entre 2012 e 2025. Em 2024, registros do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro apontaram ondas de calor marinhas de intensidade e duração inéditas, com temperaturas locais ficando até 4,6°C acima da média, por episódios que ultrapassaram 30 dias contínuos. Para o Mediterrâneo, a temperatura média em 2024 foi de 1,23°C acima do padrão registrado desde 1982, evidenciando sinais de aquecimento extremo.

O impacto das mudanças alcança também o fitoplâncton, micro-organismos essenciais na cadeia alimentar marinha e na captura de carbono. Entre 1998 e 2024, cerca de 5% do oceano global apresentou alterações duradouras nos seus padrões sazonais, afetando o equilíbrio ecológico. Na região do Ártico, a extensão média mensal do gelo marinho diminuiu aproximadamente 490 mil km² por década ao longo de quase cinco décadas, enquanto na Antártida, 2025 foi o quarto ano consecutivo em que a área mínima de gelo marinho ficou abaixo de 2 milhões de km². Essa redução está relacionada, entre outros fatores, à transformação do gelo costeiro, que, em 2022, coincidiu com a primeira queda expressiva na reprodução de colônias de pinguins-imperadores. Segundo ainda não confirmado oficialmente, otorrências como essas podem indicar impactos mais amplos do derretimento no ecossistema polar, que é particularmente sensível às mudanças climáticas.

O monitoramento contínuo dessas transformações é fundamental para compreender os riscos ambientais crescentes e orientar ações de adaptação. O relatório também alerta para a ocorrência de ondas de calor marinhas no Mar de Barents e explica que um fenômeno denominado “Atlantificação” — caracteriza-se pelo aumento do fluxo de água doce na região — teve uma pausa temporária entre 2016 e 2022. Ainda não há confirmação por outras fontes, mas a expectativa é de que as mudanças, se persistirem, possam agravar a perda de gelo polar, afetando espécies como os pinguins-imperadores, além de influenciar o clima global e os ecossistemas costeiros.

Publicidade

O que sabemos?

  • O calor armazenado nos oceanos atingiu o maior nível já registrado em 2025.
  • A temperatura da superfície do mar aumentou a uma taxa de 0,12°C por década desde 1982.
  • O nível do mar subiu cerca de 3,8 mm por ano de 1999 a 2025, com aumento para 4,2 mm entre 2012 e 2025.
  • Em 2024, ondas de calor marinhas no Mediterrâneo e Mar Negro ficaram mais intensas e duraram mais de 30 dias.

Fontes

Publicidade