Calor extremo na Europa em 2026 causa mais de 50 mil mortes, indicam estudos
Maior registro desde 2000 reforça os efeitos do aquecimento global no continente
Estudo revela que o verão de 2026 foi o mais quente na Europa em décadas, com mortes relacionadas ao calor superando dados históricos. Itália, França e Espanha lideram as estimativas de óbitos, enquanto especialistas alertam para a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira (23), o verão de 2026 na Europa foi marcado por temperaturasrecordes, resultando na morte estimada de mais de 50 mil pessoas. Os pesquisadores, provenientes do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, apontam que esse índice representa o maior desde o ano 2000, superando as mortes registradas nos verões de 2022 e 2003. Segundo a pesquisa, o calor extremo durante os meses de junho a agosto levou as temperaturas médias em várias cidades a ficarem 2,4°C acima do padrão observado entre 1991 e 2020, com picos de 5,3°C acima do habitual entre 17 de junho e 1º de julho.
Os dados indicam que o aumento da mortalidade está diretamente ligado ao aquecimento global causado, principalmente, pelo consumo de combustíveis fósseis, atividade apontada pelos cientistas como responsável por 65% das mortes relacionadas ao calor. Os números estimados destacam a gravidade do impacto, com Itália liderando as mortes estimadas, totalizando 13.303 óbitos. França, Espanha, Alemanha e Reino Unido vêm logo na sequência, com 7.268, 6.824, 6.340 e 4.354 mortes, respectivamente. Além disso, a maior concentração de óbitos ocorreu na região sul da Europa, que teve aproximadamente 22,2 mil mortes, a maior taxa de mortalidade associada ao calor em todo o continente.
Os idosos com 85 anos ou mais foram os mais afetados, representando 22,5 mil vítimas. Ainda assim, os estudiosos estimaram cerca de 6 mil mortes entre pessoas com menos de 65 anos, reforçando que o calor pode agravar doenças preexistentes e levar a óbitos que nem sempre são atribuídos diretamente às temperaturas elevadas nos registros oficiais. O estudo utilizou uma combinação de dados de temperatura, população e mortalidade, e fez uma comparação entre o verão de 2026 e uma simulação de como as temperaturas teriam sido sem o impacto do aquecimento global provocado pelo ser humano.
Apesar de as estimativas não serem uma contagem direta, a preocupação dos cientistas é crescente, principalmente ao considerar que o estudo analisou apenas 854 cidades em 30 países europeus, que juntas reúnem cerca de 173 milhões de habitantes. Ainda não há confirmações oficiais de uma conexão direta entre o aumento das mortes e eventos climáticos extremos, mas o impacto do aquecimento global no bem-estar da população voltou à pauta global, reforçando a urgência de políticas ambientais mais eficazes.
O que sabemos?
- Estudo indica que o verão de 2026 foi o mais quente na Europa desde 2000.
- Mais de 50 mil mortes foram estimadas devido ao calor nesse período.
- A maioria das vítimas tem 85 anos ou mais.
- Ítalia, França e Espanha lideram as mortes estimadas.
- Temperaturas médias em várias cidades ficaram 2,4°C acima do padrão entre 1991 e 2020.
Fontes
- G1 imprensa




