Estudo detecta fentanil em usuários de drogas sintéticas em São Paulo, sem relato de uso da substância
Pesquisa aponta que 32% dos consumidores de K2 ou K9 tinham fentanil na saliva, mesmo sem intenção de usar opioides
Uma pesquisa realizada pela FMUSP revelou que uma em cada três pessoas que usaram canabinoides sintéticos em São Paulo tinha fentanil no organismo, embora nenhum deles tivesse declarado consumo da substância. Investigadores levantam preocupação sobre possíveis contaminações no fornecimento de drogas na cidade.
Um estudo divulgado recentemente por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado na revista científica Drug and Alcohol em setembro de 2026, trouxe à tona um dado alarmante: 32% dos participantes que relataram o uso de canabinoides sintéticos, conhecidos como K2 ou K9, em São Paulo, apresentaram fentanil na saliva, mesmo sem terem declarado consumo dessa substância opioide.
O levantamento contou com 65 voluntários atendidos em serviços de tratamento de dependência química e atenção psicossocial na capital paulista. Todos afirmaram ter consumido canabinoides sintéticos nos quatro dias anteriores às entrevistas, e, dos resultados analisados, 45 amostras — o equivalente a 69% — mostraram a presença de alguma substância psicoativa. O que mais chamou atenção foi o fato de que 32% dos participantes tinham fentanil detectado em fluidos orais, mesmo eles não tendo intenções ou conhecimento de que tenham ingerido um opioide.
Segundo os pesquisadores, essa descoberta levanta a hipótese de que a droga estaria sendo contaminada no próprio abastecimento ou durante o processamento, já que o consumo de opioides não foi relatado pelos indivíduos. A maioria dos voluntários era composta de jovens, entre 23 e 29 anos, com predominância de homens, que representaram 83% do grupo. Em relação ao perfil socioeconômico, 82% eram solteiros, 63% estavam desempregados e uma significativa parcela — 42% — se encontrava em situação de rua, mesmo alguns vivendo em abrigos. Além disso, 68% desses indivíduos não tinham concluído o ensino médio.
A presença de fentanil em amostras de pessoas sem histórico de uso de opioides reforça a preocupação de que a cadeia de fornecimento das drogas sintéticas esteja contaminada, potencialmente aumentando o risco de overdoses e complicações. Ainda não há confirmação oficial de como essa contaminação estaria ocorrendo, e o próprio estudo aponta a necessidade de novas investigações para compreender o potencial impacto na saúde pública da capital paulista. Segundo a CNN Brasil, essa questão ainda está sendo avaliada por especialistas, mas a descoberta reforça a urgência de ações de fiscalização e de conscientização sobre os riscos do consumo de drogas sintéticas contaminadas.
O estudo ainda não teve ampla confirmação por outras fontes, e a própria pesquisa destaca que esses dados precisam ser mais aprofundados para que diferenças de região ou perfil de usuário possam ser esclarecidas. Ainda assim, os resultados trazem uma reflexão importante sobre o que pode estar acontecendo no mercado clandestino de drogas em São Paulo, um cenário que até então apresentava baixos índices de uso de opioides não médicos em comparação com outros países da América do Norte e Europa, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente.
O que sabemos?
- 32% dos usuários de canabinoides sintéticos em São Paulo tinham fentanil na saliva.
- 45 amostras (69%) apresentaram alguma substância psicoativa.
- Os participantes eram jovens entre 23 e 29 anos, em sua maioria homens (83%).
- A maioria era solteira (82%), desempregada (63%) e em situação de rua (42%).
Fontes
- CNN Brasil imprensa




