Ciência

Estudo aponta Jeronimus Cornelisz como o primeiro líder com traços de psicopatia na história

Em apuração ?

Pesquisa sugere que uma liderança tóxica do século XVII pode ter inspirado os perfis de chefes psico­patas atuais.

Ilustração de um navio antigo naufragando na costa da Austrália
Imagem: Revista Galileu

Uma análise histórica revela que Jeronimus Cornelisz, comerciante holandês do século XVII, exibiu comportamentos considerados psicopáticos, incluindo manipulação, uso do charme e violência extrema, durante um naufrágio na Austrália. A descoberta foi feita por pesquisadores que utilizam critérios modernos para entender lideranças tóxicas antigas.

Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Asian Journal of Business Ethics, a história de Jeronimus Cornelisz, um comerciante da Companhia Holandesa das Índias Orientais, pode revelar um dos primeiros exemplos de liderança psicopática na história. Ainda que figuras como Hitler ou Mussolini sejam frequentemente lembradas como exemplos de chefes psicopatas, os pesquisadores defendem que a origem desse tipo de liderança remonta há mais de 400 anos, durante os primeiros movimentos do capitalismo global.

A análise, conduzida pelo especialista Clive Boddy, da Universidade Anglia Ruskin, Reino Unido, utilizou uma estrutura que avalia o comportamento de líderes sob uma perspectiva moderna, levando em consideração traços de manipulação, charme, criação de suportes leais, isolamento de opositores e busca incessante por poder, controle e riqueza. Segundo o estudo, Cornelisz demonstra várias dessas características, incluindo o uso do charme para conquistar aliados, remover rivais e criar um clima de medo, além de evitar responsabilidades por atos controversos.

O episódio que marcou sua atuação ocorreu após o naufrágio do navio Batavia, que deixou cerca de 200 sobreviventes isolados em uma cadeia de ilhas na costa da Austrália Ocidental. Com o comando do navio, suas autoridades partiram em busca de ajuda até Jacarta, na Indonésia, deixando os demais à deriva. Com a ausência dos oficiais superiores, Cornelisz, que era subcomerciante na companhia, assumiu uma posição de liderança e consolidou o poder ao substituir membros do conselho de sobreviventes por apoiadores fiéis, além de exigir juramentos de lealdade e isolar quem tentasse questionar suas decisões.

Segundo a mesma fonte, sob sua liderança, aproximadamente 100 homens, mulheres e crianças foram assassinados. A justificativa oficial para as mortes seria a necessidade de conservar água e alimentos limitados, mas o estudo sugere que, na verdade, a violência tinha como objetivo eliminar ameaças à autoridade de Cornelisz. Este comportamento, considerado um traço de psicopatia moderna, demonstra como a liderança de Cornelisz ultrapassou os limites de uma organização disfuncional, refletindo um modelo tóxico de comando que deixou um rastro de tragédia.

Ainda não há confirmações de outros estudos ou fontes históricas que reforcem essa tese, e o tema aguarda novas análises para esclarecer o grau de acerto na correlação entre o comportamento de Cornelisz e os traços de líderes psicopatas contemporâneos. A pesquisa, divulgada apenas pela revista Galileu, aponta para uma reflexão sobre os aspectos sombrios da liderança ao longo da história, revelando que essas atitudes podem se manifestar mesmo em contextos muito diferentes do atual, mas que atraem interesse pelos padrões de comportamento que perduram ao longo dos séculos.

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O que sabemos?

  • Jeronimus Cornelisz foi um comerciante holandês do século XVII.
  • Um estudo sugere que ele exibiu comportamentos psicopáticos.
  • Durante o naufrágio do Batavia, ele matou cerca de 100 pessoas.
  • A análise utilizou critérios modernos de psicopatia.
  • A pesquisa foi publicada na revista Asian Journal of Business Ethics.

Fontes

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