Ciência

Cientistas registram pela primeira vez luz bioluminescente de aranhas-do-mar gigantes na Austrália

Em apuração ?

Fenômeno revelado durante expedição mostra animais produzindo luz azul em profundidades extremas do oceano

Imagem ilustrativa de aranhas-do-mar gigantes em profundidades oceânicas
Imagem: Aventuras na História

Pesquisadores belgas documentaram, pela primeira vez, a capacidade de bioluminescência de duas espécies de aranhas-do-mar gigantes na costa leste da Austrália. O estudo reforça entendimento sobre organismos das regiões mais profundas dos oceanos.

Durante uma expedição marinha na costa leste da Austrália, cientistas fizeram uma descoberta surpreendente: duas espécies de aranhas-do-mar gigantes, conhecidas por habitar as profundezas oceânicas, foram observadas emitindo uma luz azul própria, um fenômeno conhecido como bioluminescência. Segundo informações divulgadas pela revista Phys.org, os registros foram feitos durante uma pesquisa realizada em 2017, mas apenas recentemente ganharam destaque ao serem fotografados e documentados pela primeira vez com detalhes. A luz emitida pelas aranhas, identificadas como Colossendeis tasmanica e Colossendeis minor, foi observada em animais encontrados a profundidades que variam de 1.006 até 4.977 metros, e o fenômeno foi confirmado ao estimular os espécimes com beliscões ou substâncias químicas, o que provocou a emissão de luz.

De acordo com a fonte, a equipe liderada pelo pesquisador Jerome Mallefet, da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, começou os testes ainda a bordo do navio. Durante esses experimentos, os cientistas notaram que a luminosidade surgia especificamente nas pernas das aranhas-do-mar, especialmente nas extremidades, regiões chamadas própodo. A tonalidade azul escura da luz apresentava um comprimento de onda de aproximadamente 449 nanômetros. Cada estímulo químico ou manual produzia efeitos distintos: estímulos químicos resultavam em uma luminosidade que podia durar até dez minutos, enquanto os beliscões causavam brilhos mais curtos, de poucos segundos a pouco mais de dois minutos.

Embora os experimentos tenham confirmado que os animais produzem sua própria luz, ainda não se tem uma explicação definitiva sobre o funcionamento dessa bioluminescência. Pesquisadores analisaram amostras das pernas congeladas sob microscopia, concluindo que o fenômeno está relacionado a células no interior do intestino das pernas, mas os detalhes sobre a reação química responsável ainda aguardam investigação mais aprofundada, que só será possível após o retorno da equipe ao laboratório. A descoberta reforça a pouca conheitência sobre organismos que vivem em regiões extremas do oceano, onde a luz própria é uma estratégia comum para comunicação, caça ou camuflagem.

Segundo fontes adicionais de observação antiga, há registros do fenômeno de luminosidade azul em seres marinhos no oceano Índico no final do século 19, mas essas informações nunca haviam sido confirmadas de forma documentada até o momento. Assim, a nova pesquisa representa um avanço importante para o entendimento da bioluminescência em espécies pouco estudadas, como os picnogonídeos, grupo ao qual pertencem as aranhas-do-mar, e pode ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas mais profundos do planeta.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores belgas documentaram a bioluminescência de aranhas-do-mar gigantes na Austrália.
  • A luz azul foi observada em duas espécies: Colossendeis tasmanica e Colossendeis minor.
  • Animais foram encontrados a profundidades de 1.006 a 4.977 metros.
  • A luminosidade foi provocada por estímulos manuais e químicos, durando até dez minutos em alguns casos.

Fontes

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