Ciência

Estudo revela que mulheres sentem mais dor do que homens em todo o mundo

Em apuração ?

Pesquisa com dados de mais de 6 milhões de pessoas aponta diferenças de gênero e fatores que influenciam na percepção da dor

Ilustração de uma mulher com expressão de dor e um homem ao lado, ambos representam diferenças de percepção de dor
Imagem: Superinteressante

Uma análise global confirma que mulheres relatam dores mais intensas do que homens em diversas regiões e partes do corpo. O estudo, que envolveu dados de quase 120 países, também relaciona fatores como tabagismo, obesidade e renda com a incidência de dor.

Um estudo abrangente, publicado na revista Nature Medicine e divulgado por uma fonte ainda não confirmada oficialmente, trouxe evidências de que mulheres tendem a sentir dores mais intensas do que homens ao redor do mundo. A pesquisa analisou dados de mais de 6 milhões de pessoas, de 118 países, incluindo idades que variam de cinco até mais de 100 anos. Segundo os autores, esse esforço representa um dos maiores empenhos de unificação de informações epidemiológicas sobre dor já realizados.

Os resultados mostraram que em 11 regiões específicas do corpo, as mulheres relataram níveis maiores de dor do que os homens. Essas regiões incluem cabeça, rosto, pescoço, ombro, pé, tornozelo, mão, punho, cotovelo, tórax, costas, estômago, abdômen, quadril e joelho. Particularmente preocupantes, as dores de cabeça, dores faciais e dores abdominais destacaram-se como as mais relatadas entre as mulheres. Os pesquisadores observam que, apesar da tendência de aumento da dor com o envelhecimento, as manifestações mais incapacitantes tendem a atingir seu pico na meia-idade e avançada idade adulta, por volta dos 75 anos ou mais, formando um padrão em formato de ‘U’ invertido.

O estudo também identificou que certas condições de vida e hábitos contribuem para essa incidência, incluindo tabagismo, obesidade e baixa renda familiar. Por exemplo, na região do Leste Europeu, onde os índices de tabagismo são elevados, 8,5% dos casos de dor foram atribuídos ao tabagismo. Em contrapartida, na África Subsaariana, esse percentual caiu para 2,5%. Quanto à obesidade, ela foi responsável por 14,6% dos casos na América do Norte, enquanto na Ásia Central e do Sul ficou em apenas 2,7%. Além disso, a pobreza e o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aparecem como fatores que agravam o quadro, especialmente na terceira idade, onde a prevalência de dores na região lombar chega a ser o dobro em países de menor IDH, como na África, Ásia e Norte da África.

Diferentemente de diagnósticos clínicos, a pesquisa utilizou uma avaliação de dor autorreferida, ou seja, os próprios participantes indicaram como se sentiam. Segundo os autores, essa abordagem visa incluir pessoas com acesso limitado a serviços de saúde, ampliando o escopo do estudo e evitando vieses gerados pela falta de diagnósticos formais. Ainda não há confirmação se outras fontes irão reforçar esses números, mas o resultado reforça uma questão de saúde pública importante: o reconhecimento e o manejo da dor, especialmente em mulheres, devem receber atenção especial no cenário mundial.

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O que sabemos?

  • Mulheres relatam maior intensidade de dor do que homens em 11 regiões corporais.
  • Dores mais frequentes incluem cabeça, rosto, abdômen, costas, quadril e joelhos.
  • A dor aumenta com a idade, atingindo pico aos 75 anos ou mais.
  • Fatores como tabagismo, obesidade e baixa renda contribuem para maior incidência de dor.
  • Regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano apresentam maior prevalência de dores na terceira idade.

Fontes

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