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Carros chineses sem limpador traseiro: por que essa mudança vem ganhando espaço no mercado

Em apuração ?

Entenda os motivos técnicos e econômicos por trás da ausência desse item em alguns veículos elétricos

Carros chineses sem limpador traseiro: por que essa mudança vem ganhando espaço no mercado
Imagem: Quatro Rodas

Alguns modelos chineses de carros elétricos dispensam o limpador traseiro, alegando vantagens na aerodinâmica, redução de peso e economia de custos. Especialistas explicam as razões e as possíveis soluções para a visibilidade.

Nos últimos anos, tem se observado uma tendência de veículos elétricos produzidos na China que vêm deixando de lado um item tradicionalmente considerado essencial: o limpador de para-brisa traseiro. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente e divulgadas inicialmente por uma revista especializada, essa mudança é motivada por fatores relacionados à aerodinâmica, economia de custos e estratégias de redução de peso para melhorar o desempenho e consumo dos veículos.

Segundo Mario Pinheiro, especialista em dinâmica veicular da SAE Brasil, a ausência do limpador traseiro pode estar relacionada à forma como o vidro traseiro é desenhado nesses modelos. Ele explica que “a pouca inclinação do vidro nesses carros implica na criação de uma zona de baixa pressão na parte superior do vidro, principalmente em baixas velocidades. Essa condição gera turbulência que acaba atraindo e acumulando resíduos na superfície, dificultando a autolimpeza”.

O engenheiro aponta que, para compensar essa situação, melhorias no design do carro podem ser adotadas, como uma inclinação mais estudada do vidro ou a instalação de aerofólios traseiros eficientes, que direcionam o fluxo de ar de forma a eliminar a zona de baixa pressão. Assim, teoricamente, o limpador traseiro poderia ser dispensado, uma vez que a otimização do fluxo de ar ajudaria na manutenção da visibilidade.

Além do aspecto técnico, há razões econômicas e de peso envolvidas. A retirada do limpador reduz o peso do veículo, aportando ganhos no consumo de energia — fundamental em carros elétricos — e também diminui custos de produção, já que cada item removido representa economia. De fato, segundo o especialista, no mercado brasileiro, dois dos três carros elétricos mais vendidos atualmente já deixam de oferecer o limpador traseiro. Entre eles está o BYD Dolphin Mini, líder de vendas na categoria, que a partir da linha 2025 foi lançado sem o sistema, enquanto seu “irmão” maior, o Dolphin GS, também passou a omiti-lo. Outro exemplo destacado é o Geely EX2, que também não dispõe do item, em parte devido às limitações de ajustes devido à ausência de sistemas elétricos capazes de facilitar adaptações no vidro ou no sistema de limpadores.

Por outro lado, especialistas recomendam ações como a aplicação de produtos hidrofóbicos no vidro traseiro, que minimizam o acúmulo de água e sujeira, ajudando a melhorar a visibilidade sem a necessidade do limpador. Ainda assim, a ausência desse sistema é alvo de debates, especialmente quanto às condições de uso em regiões com alta incidência de chuva ou sujeira. A questão, contudo, ainda está sendo analisada pelas fabricantes, que não se pronunciaram oficialmente até o momento.

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