Carros

70 anos do primeiro carro produzido em série no Brasil: a história da Romi-Isetta

Em apuração ?

Fiat lux na indústria automobilística brasileira, um marco de inovação e resistência local

Fábrica da Romi em Santa Bárbara d’Oeste nos anos 1950 com carros antigos ao redor
Imagem: Quatro Rodas

O aniversário de sete décadas do lançamento da Romi-Isetta relembra a importância de uma indústria que nasceu do sonho de produzir um automóvel acessível e nacional. Uma história de pioneirismo e paulista.

Comemora-se nesta semana os 70 anos do início da produção em série do primeiro automóvel brasileiro, a Romi-Isetta. Criada pela fabricante paulista Romi, instalada em Santa Bárbara d’Oeste, a história remonta a uma iniciativa de empresários que acreditaram na possibilidade de fabricar um carro urbano, acessível e adequado à realidade do Brasil na década de 1950. Segundo fonte, a Romi forma parte de uma trajetória que caminha para os seus 100 anos de história, marcada por inovação e empreendedorismo.

A genese da Romi-Isetta está diretamente ligada às experiências de Emílio Romi, que residia na Itália e retornou ao Brasil após a Primeira Guerra Mundial. Ferido em combate, ele acumulou experiência como mecânico na cidade de São Paulo e posteriormente fundou a oficina Garage Santa Bárbara ao lado de Carlos Chiti, enteado e sócio do empresário. Ainda segundo a mesma fonte, Emil Romi e Chiti importaram duas unidades da Isetta, automóvel urbano desenvolvido na Itália, e concluíram que a produção no Brasil seria viável. Em 1955, embarcaram para a Europa, retornando com a concessão da Iso Autoveicoli S.p.A., fabricante original da Isetta.

A produção brasileira começou oficialmente em 30 de junho de 1956, sob aplausos de operários, com Emílio Romi ao volante de uma unidade do microcarro, vindo acompanhado de sua esposa Olimpía. O lançamento oficial da Romi-Isetta aconteceu em uma exposição no centro de São Paulo, em 5 de setembro do mesmo ano, com uma frota de veículos desfilando pela cidade, sob comando de Carlos Chiti. A campanha publicitária de divulgação foi massiva, presente em revistas e jornais da época, consolidando a marca como uma das estrelas do recém-inaugurado canal de televisão TV Tupi, onde a Romi-Isetta participou de uma série brasileira. Segundo informações, essa iniciativa ajudou a popularizar o carro e a criar empregos indiretos em diversas empresas do setor de componentes e peças.

Ao longo dos anos, a Romi-Isetta passou por mudanças. Em 1957, a carroceria teve pequenas alterações e a cilindrada do motor foi aumentada para 236 cc. Em janeiro de 1958, uma caravana com 33 unidades percorreu o trajeto de São Paulo ao Rio de Janeiro, recebendo atenção de autoridades e personalidades. No mesmo período, o automóvel participou de programas na televisão e permaneceu como símbolo da indústria nacional na época. Em 1959, a produção ganhou um novo modelo, denominado 300, equipado com melhorias estéticas e um motor BMW de quatro tempos, com 298 cc e 3,5 cv adicionais, elevando a potência em 40% e o nível de nacionalização para 78%. Infelizmente, em 15 de março daquele mesmo ano, Segundo fonte, Emílio Romi faleceu devido a um derrame cerebral, marcando o ponto final de uma era que ajudou a consolidar a indústria automotiva brasileira.

A história da Romi-Isetta é mais do que uma curiosidade: ela simboliza o esforço de uma empresa que nasceu de uma oficina, enfrentou desafios para estabelecer uma produção em larga escala no Brasil e contribuiu para a história do nosso transporte. Ainda não confirmado oficialmente, há quem diga que a produção do carro durou cerca de três anos, mas sua influência perdura até hoje como um exemplo de nacionalismo e inovação em tempos de reconstrução e crescimento econômico.

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O que sabemos?

  • A Romi-Isetta foi o primeiro carro produzido em série no Brasil.
  • A produção começou oficialmente em 1956.
  • A Romi-Isetta foi idealizada na Itália e licenciada para produção brasileira.
  • Emílio Romi e Carlos Chiti deram início à produção no Brasil após importarem unidades e avaliarem a possibilidade de fabricação local.
  • A fábrica em Santa Bárbara d’Oeste produziu a Romi-Isetta até pelo menos 1959, quando ocorreu o falecimento de Romi.

Fontes

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