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Decisões globais desafiam o discurso da inevitabilidade da tecnologia nas escolas e redes sociais

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Restrição de uso de inteligência artificial e limites nas redes sociais representam resistência ao avanço tecnológico considerado irreversível

Criança usando tablet na escola com sinais de restrição ao fundo
Imagem: Folha de S.Paulo

Diversos países e regiões estão implementando medidas para limitar o uso de redes sociais e inteligência artificial por crianças e adolescentes, evidenciando uma mudança no debate sobre o impacto da tecnologia.

Nos últimos meses, uma série de decisões e restrições em diferentes partes do mundo vêm sinalizando uma tentação de frear ou pelo menos refrear o avanço desenfreado da tecnologia, especialmente em relação ao público infantil e juvenil. Segundo fontes que acompanham o tema, ações como a restrição de contas de menores de 16 anos nas redes sociais na Austrália, a limitação de celulares nas escolas brasileiras e a regulamentação do uso de inteligência artificial até o 5º ano no Brasil representam uma mudança de postura em um contexto em que, até pouco tempo, prevaleceu o discurso de que não haveria volta ou que a tecnologia era inevitável. Essas medidas vêm ao encontro de uma crescente preocupação com os efeitos que a velocidade da inovação tecnológica tem causado na formação de jovens e na sociedade como um todo.

Segundo relato de fontes próximas às políticas públicas, a Austrália foi um dos primeiros países a restringir contas de menores de 16 anos nas redes sociais, numa tentativa de diminuir os impactos da exposição precoce a conteúdos muitas vezes inadequados. Ainda nos Estados Unidos, na cidade de Nova York, uma decisão recente suspendeu por um ano o uso de inteligência artificial generativa por estudantes até o 8º ano na rede municipal, com o objetivo de avaliar possíveis efeitos nocivos dessa tecnologia no desenvolvimento das crianças. No Brasil, o Ministério da Educação adotou, em janeiro de 2025, uma medida de limitar o uso de celulares dentro das escolas, enquanto o Conselho Nacional de Educação aprovou, em setembro, diretrizes que restringem o uso autônomo de inteligência artificial até o 5º ano. Essas ações representam uma tentativa de devolver ao debate público a possibilidade de escolhas mais conscientes, contrariando o discurso dominante de que a tecnologia avançaria de qualquer forma, independentemente dos riscos ou aprendizados necessários.

Segundo especialistas ouvidos, a persistência dessa narrativa de inevitabilidade era reforçada por discursos de CEOs de grandes empresas de tecnologia, que insistiam na ideia de que a velocidade do avanço era irreversível e que a sociedade deveria se adaptar, muitas vezes adotando uma postura passiva. No entanto, as recentes decisões de diversos países sugerem uma mudança de paradigma, indicando que ainda há espaço para resistir às intenções de incorporalidade total das big techs às nossas rotinas. Ainda não há confirmação oficial de que essas restrições tenham efeito definitivo ou que todas essas ações estejam alinhadas em outros países, mas o movimento indica uma inquietação crescente perante o impacto da tecnologia na infância e na educação. O que se vê é um ressurgimento do debate sobre o tempo, cuidado e limites, questões que até então pareciam relegadas a uma visão de que tudo era inevitável. As ações afirmativas buscam, assim, equilibrar o avanço tecnológico com a proteção de direitos e bem-estar dos mais jovens.

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O que sabemos?

  • Diversos países estão restringindo o uso de redes sociais e inteligência artificial por menores.
  • Austrália limitou contas de menores de 16 anos na internet.
  • Brasil adotou restrições ao uso de celulares nas escolas, começando em janeiro de 2025.
  • Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes que restringem o uso autônomo de IA até o 5º ano.
  • Nova York suspendeu por um ano o uso de IA generativa por alunos até o 8º ano na rede municipal.

Fontes

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