Brasil

Juventude expulso de casa por ser gay recebe indenização de R$ 100 mil na Justiça de Santa Catarina

Em apuração ?

Caso envolvendo abuso, abandono e luta por direitos revela dificuldades enfrentadas por jovens LGBTQ+

Jovem com expressão pensativa, símbolo de luta por direitos LGBTQ+
Imagem: G1

Um jovem de 17 anos foi expulso pelos pais após assumir namoro homoafetivo e, após anos de enfrentamento, conseguiu uma indenização na Justiça de Santa Catarina. Decisão condena os pais por danos morais, violência e abandono afetivo.

A Justiça de Santa Catarina condenou um casal a pagar R$ 100 mil de indenização ao próprio filho, Emanuel Roque, por danos morais, violência e abandono afetivo. Segundo relatos apresentados por ele, o adolescente foi ameaçado, hostilizado e expulso de casa pelos pais após revelar que estava em um relacionamento homoafetivo, em um episódio que chamou a atenção pelo grau de sofrimento enfrentado por jovens LGBTQ+ em situações de intolerância familiar.

Emanuel, que na época tinha apenas 17 anos, mora na cidade de Jaguaruna, no Sul catarinense, e trabalhava com o pai em uma loja do comércio familiar. O jovem contou que, ao começar a namorar Jonathas, colega de escola que também trabalhava em um mercado da cidade, sentiu-se pela primeira vez livre para se aceitar. “Foi a primeira vez que eu me aceitei”, disse Emanuel, em relato. Entretanto, esse momento de autoconhecimento desencadeou uma série de conflitos com os pais, que, segundo ele, não aceitaram o relacionamento.

De acordo com o processo, Emanuel afirma que foi pressionado a deixar o emprego e impedido de frequentar a escola. Ele também relatou que, após revelar seu namoro à mãe, ela teria começado a gritar com ele, afirmando que tinha nojo: “Ela começou a gritar no meio da sala, falando que tinha nojo de mim.” A situação piorou quando, durante uma discussão, Emanuel afirma ter sido intimidado pelo pai com um alicate, sendo lançado ao chão após tentar se defender, além de ter sido ameaçado com uma arma de fogo. Segundo o jovem, o pai colocou uma arma de fogo na cabeça dele e disse que ia lhe dar um tiro, relato que ainda não foi oficialmente confirmado pelas autoridades.

O caso também envolve ameaças e ofensas feitas nas redes sociais, com o pai supostamente publicando conteúdo homofóbico e ameaçando o namorado de Emanuel online. Ainda segundo o relato, os pais afirmaram que Emanuel deveria deixar a residência caso mantivesse seu relacionamento, levando o jovem a ficar quase um ano em um abrigo municipal. Emanuel descreveu esse período como difícil, mas destacou que lá encontrou ajuda e acolhimento, descrevendo o lugar como uma oportunidade de reconstrução e segurança.

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Fontes

  • G1 imprensa
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