Dados revelam queda na leitura entre estudantes brasileiros e o desafio da compreensão
Mudanças nos hábitos de leitura e desempenho em avaliações internacionais apontam para uma preocupação crescente no Brasil.
Segundo pesquisa recente, mais da metade dos jovens brasileiros de 15 anos não atingem o nível básico de leitura e o país perdeu milhões de leitores nos últimos anos. O problema parece estar ligado às dificuldades de compreensão, especialmente nas fases escolares.
De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, o país enfrentou uma invertida tendências: pela primeira vez desde 2007, o Brasil tem mais não leitores (53%) do que leitores (47%). Este dado alarmante revela uma deterioração nos hábitos de leitura dos brasileiros, que, segundo o estudo, resultou na perda de 6,7 milhões de leitores em apenas quatro anos. O problema se agrava no ambiente escolar, onde a proporção de estudantes que leem regularmente caiu de 49% para 40% no 1º ao 5º ano, e de 54% para 49% do 6º ao 9º ano, na comparação com 2019, ainda de acordo com a mesma pesquisa.
Os resultados da avaliação internacional Pisa 2025, divulgados pela OCDE, reforçam essa crise, ao mostrar que apenas 49% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram ao menos o nível básico de proficiência em leitura, uma pontuação de 408 pontos – abaixo da média da OCDE, que é 466. Ainda que esses dados apontem dificuldades de compreensão, o que chamou atenção foi o grande interesse dos jovens pelo universo dos livros fora do ambiente escolar. A 28ª Bienal do Livro de São Paulo, por exemplo, terminou com um recorde de 760 mil visitantes, o maior da história, com filas de adolescentes buscando autógrafos. Essa disparidade sugere que o desinteresse aparente pode, na verdade, estar ligado às dificuldades de compreensão, e não à falta de interesse pelos livros.
Para entender esse fenômeno, é importante destacar a percepção de especialistas e de organizações que atuam na área. Segundo Patricia Borges, gerente de Impacto do Instituto Sol, uma ONG que trabalha com a aceleração da aprendizagem, uma parcela significativa dos jovens que não leem afirma que sua maior dificuldade é entender o que lê. “Muitas vezes, o desinteresse está ligado à dificuldade de compreender o texto e captar a ideia central, o que gera frustração e leva ao afastamento dos livros”, explica ela. Ainda segundo Patricia, a distinção entre não querer ler e não conseguir ler é fundamental e pode ser observada tanto pelos professores quanto por avaliações diagnósticas.
A situação aponta para um desafio duplo: reforçar o interesse dos jovens pelo ato de ler e, principalmente, desenvolver suas habilidades de compreensão e interpretação textual. Enquanto as escolas parecem perder terreno nesta frente, o interesse do público jovem por literatura fica evidente fora do ambiente escolar, destacando a necessidade de estratégias que conectem leitura e compreensão de forma mais acessível. Ainda não há uma resposta definitiva para toda essa complexidade, mas fica claro que, para reverter esse quadro, o Brasil precisa investir tanto na formação dos professores quanto em métodos que tornem a leitura mais compreensível e prazerosa para os estudantes.
O que sabemos?
- Brasil tem 53% de não leitores, maior desde 2007.
- Perda de 6,7 milhões de leitores em quatro anos.
- Dificuldade de compreensão é apontada como principal motivo por jovens que não leem.
- Aproximadamente 49% dos estudantes de 15 anos no Brasil atingem nível básico em leitura, abaixo da média da OCDE.
- Festa do livro na Bienal do Livro de São Paulo atraiu recorde de visitantes, mas o interesse nas escolas é menor.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





