Brasil

Planeta 'Fênix' revela origem de restos de estrela e pode ser o primeiro de segunda geração

Em apuração ?

Descoberta de um planeta formado a partir de material de uma estrela em fase de morte intrigou astrônomos e pode expandir o entendimento sobre formação de mundos cósmicos.

Representação artística do planeta 'Fênix' orbitando uma anã branca.
Imagem: Revista Galileu

Astrônomos identificaram um planeta que provavelmente se formou a partir de restos de uma estrela moribunda. A descoberta, publicada nesta segunda-feira na revista Nature Astronomy, aponta para um fenômeno inédito na astronomia. O planeta, nomeado 'Fênix', gira ao redor de uma anã branca e apresenta uma composição química rara, indicando um origem diferente dos mundos tradicionais.

Na última segunda-feira, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, anunciou a descoberta de um possível planeta que nasceu a partir de restos de uma estrela em seu processo de morte. Batizado provisoriamente de 'Fênix', o mundo estaria orbitando uma anã branca denominada HS 0209+0832, e sua formação se distingue por uma composição química incomum, que chamou a atenção dos cientistas desde o primeiro momento.

Segundo informações de uma publicação na revista Nature Astronomy, a atmosfera da estrela remanescente apresentou elementos pesados como zinco, cobre e, especialmente, nióbio — este último em níveis mil vezes superiores aos encontrados no Sol. Ainda de acordo com a equipe, essa é a primeira vez que o elemento é detectado em uma anã branca, um corpo que antes se acreditava ter uma composição mais simples, com predominância de elementos como silício e ferro, típicos de rochas terrestres. A presença desses elementos pesados é considerada uma assinatura química do chamado 'processo S', uma reação nuclear que ocorre no interior de estrelas ao final de sua vida, formando elementos mais complexos.

Para os especialistas, essa assinatura indica que o planeta teria se formado a partir de material expelido pelo próprio astro em sua fase final, criando um disco de matéria ao redor da estrela. Com esse material, seria possível a formação de um novo corpo celeste, algo que ainda não tinha sido registrado na astronomia. Uma hipótese complementar sugere que a estrela teria tido uma companheira na sua fase terminal, cuja influência gravitacional teria ajudado a manter parte do material em órbita, facilitando a formação do disco e, posteriormente, do planeta. Ainda não há confirmação oficial de que esse evento tenha ocorrido exatamente dessa forma, mas os indícios são bastante reveladores.

Dados do satélite TESS, da NASA, reforçam essa teoria ao detectar uma assinatura fraca e regular de brilho emitido por esse possível planeta. A periodicidade do sinal é de aproximadamente 4,4 dias, e os cientistas interpretam como sendo um gás gigante do tamanho de Júpiter, bastante próximo da estrela, com rotação sincronizada à sua órbita. Essa proximidade explicaria como os elementos pesados estariam chegando à superfície da estrela, uma vez que a radiação intensa da anã branca estaria provocando a evaporação das camadas externas do planeta, causando a liberação de materiais que caírem na estrela e reforçando a assinatura química observada.

Se sua natureza de fato for confirmada, o planeta 'Fênix' será considerado o primeiro mundo de segunda geração conhecido ao redor de uma anã branca, alterando conceitos atuais sobre a formação de planetas e a evolução de estrelas. Ainda aguarda-se o aval de outros estudos para confirmação definitiva, pois a novidade depende de análises adicionais e de consenso na comunidade científica. A descoberta representa um avanço importante na compreensão dos processos que podem gerar novos mundos mesmo em fases avançadas do ciclo de vida estelar, ampliando o horizonte das possibilidades de formação cósmica.

Publicidade

O que sabemos?

  • Planeta 'Fênix' possivelmente se formou de resíduos de uma estrela em fase terminal.
  • Foi detectada uma composição química incomum na atmosfera da estrela, com altos níveis de zinco, cobre e nióbio.
  • Primeira observação de nióbio em uma anã branca, indicando o 'processo S' no interior do sistema.
  • Dados de satélites sugerem um planeta do tamanho de Júpiter, com órbita a 4,4 dias da estrela.
  • A hipótese é que uma estrela companheira ajudou a manter material em órbita, facilitando a formação do planeta.

Fontes

Publicidade