Múmia de mulher de 3.000 anos pode ter morrido gritando, aponta estudo
Pesquisas recentes sugerem que expressão facial da antiga egípcia revela seus últimos momentos de vida
Uma múmia encontrada na antiga Tebas, no Egito, revela uma expressão de sofrimento que pode indicar morte em pânico, de acordo com análises científicas. Cientistas utilizam tecnologia moderna para entender possíveis causas de sua expressão assustadora.
Uma descoberta arqueológica intrigante levanta dúvidas sobre as circunstâncias da morte de uma mulher mumificada há mais de 3 mil anos na região de Tebas, no Egito. Segundo fontes da revista Frontiers in Medicine, a múmia apresenta uma característica incomum: a boca permanece aberta, numa expressão que lembra um grito ou um intenso sofrimento. Até agora, o motivo dessa expressão vinha sendo atribuída a uma falha ou negligência dos embalsamadores, mas novos estudos sugerem que essa pode ser uma representação genuína dos últimos momentos de vida da antiga egípcia. A descoberta foi realizada por uma expedição liderada pelo Museu Metropolitano de Arte de Nova York, na câmara funerária abaixo do túmulo de Senmut, um importante arquiteto da época, relacionado à rainha Hatshepsut. A localização do corpo, sem o nome inscrito, sugere que ela pertencia a uma elite social, possivelmente ligada à família do arquiteto. Os detalhes do sepultamento nada indicam descuido; pelo contrário, objetos valiosos como dois anéis de escaravelho em prata e ouro foram encontrados ao lado da múmia, além de uma peruca longa e preta, feita de fibras de tamareira e tratada com cristais de quartzo, magnetita e albita para manter a forma e a coloração.
O cuidado com a aparência evidenciado pelos materiais utilizados revela um funeral de alta qualidade, reforçando a ideia de que a mulher pertencia a uma classe privilegiada. Pesquisadores também analisaram as resinas aromáticas presentes na mumificação, identificando a presença de zimbro e olíbano, substâncias valiosas que precisaram ser importadas de regiões como o Mediterrâneo Oriental e o Sul da Arábia. Como explicou a revista Galileu, o uso de tais ingredientes demonstra o alto nível de investimento na preservação do corpo, com detalhes que indicam que os responsáveis pelo embalsamamento não poupavam recursos. Ainda de acordo com a publicação, os servos da rainha Hatshepsut chegavam de regiões distantes com incenso do reino de Punt, famoso por suas resinas raras, uma prova de que a técnica de mumificação adotada por essa mulher foi de alto custo.
Em 2024, cientistas egípcios realizaram uma espécie de necropsia virtual na múmia, utilizando tecnologias como tomografia computadorizada e microscopia eletrônica. Segundo informações de uma fonte, as análises revelaram que a mulher tinha cerca de 48 anos, medindo aproximadamente 1,54 metro de altura, na época de sua morte. Os estudos também mostraram sinais de artrite leve na coluna, evidenciada por esporões ósseos, além de desgaste dental. O aspecto mais intrigante, porém, foi a permanência dos órgãos internos, como cérebro, pulmões, fígado e intestinos, um detalhe que contradiz o método clássico de mumificação, onde esses órgãos eram removidos e preservados separadamente. Essa hipótese sugere que a mulher poderia ter morrido em meio a um momento de grande sofrimento e pânico, deixando uma expressão definitiva até na sua última imagem preservada pelos egípcios há milênios.
As investigações ainda estão em andamento, pois o próprio estudo ressalta que, até o momento, essas conclusões ainda não foram confirmadas oficialmente pela comunidade arqueológica e científica. O que se sabe, por enquanto, é que a múmia de Tebas continua a fascinar especialistas e o público, especialmente pelo seu rosto inquietante, que parece contar uma história de dor e agonia registrada há milhares de anos. Essa descoberta reforça a ideia de que a arte da mumificação, além de um ritual de preservação, pode guardar pistas valiosas sobre o modo de vida, os rituais e até as emoções daqueles que viviam na antiga civilização egípcia.
O que sabemos?
- A múmia de uma mulher de 3 mil anos foi encontrada com uma expressão de sofrimento, semelhante a um grito.
- Pesquisas indicam que essa expressão pode refletir seus últimos momentos de vida, não uma falha do embalsamamento.
- O corpo foi descoberto na câmara funerária de Tebas, abaixo do túmulo de Senmut, provavelmente pertencente a uma elite social.
- Análises químicas revelaram presença de resinas importadas e objetos valiosos, indicando um funeral de alto custo.
- Tecnologia moderna foi usada para estimar que ela tinha cerca de 48 anos na morte e 1,54 m de altura.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada

