Brasil

O legado cultural do açaí em Belém no século XIX revela a história de mulheres negras e mestiças

Em apuração ?

Celebrado neste sábado, dia do açaí, o artigo resgata a importância das trabalhadoras que moldaram a tradição na cidade

Mulheres vendendo açaí na rua em Belém no século XIX
Imagem: G1

A história do açaí em Belém é marcada pelas mulheres negras e mestiças que trabalharam e venderam a fruta manualmente no século XIX. Pesquisas revelam como elas integraram o cotidiano local, enfrentando desafios e construindo redes de solidariedade.

No sábado, dia do açaí, o portal Página 99 traz uma investigação que revela a profunda conexão entre a fruta e a povoação de Belém no século XIX. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), mulheres negras e mestiças desempenhavam um papel central na preparação e venda do açaí, uma tradição que ainda hoje é forte na capital paraense.

Naquela época, não existiam as máquinas modernas de bater o fruto. As mulheres, chamadas de "amassadeiras" e "vendedeiras", preparavam a bebida manualmente, esfregando os frutos com as mãos dentro de vasilhas com água. Elas percorriam as ruas vendendo o produto porta a porta, integrando o cotidiano alimentar da população de Belém, que consumia o açaí de forma rotineira. A reputação dessas trabalhadoras garantia a fidelidade de muitas famílias, que confiavam na qualidade do que lhes era oferecido.

Segundo informações preservadas em processos criminais e registros históricos analisados pela historiadora Caroline Porto Brito, da UFPA, essas mulheres não se limitavam à venda do açaí. Muitas trabalhavam também como cozinheiras ou doceiras, exercendo múltiplas funções ao longo do dia. Essa prática de acumular atividades era uma estratégia de sobrevivência, reforçada pelos laços de amizade e redes de solidariedade que se formavam entre elas. Os registros mostram episódios de conflitos, furtos e episódios de violência, que também faziam parte do cotidiano dessas mulheres nas ruas de Belém.

Apesar dos riscos enfrentados, a venda do açaí nas ruas tinha um papel importante na sua trajetória social e econômica. A pesquisa aponta que, embora expostas a agressões, elas também criaram uma rede de apoio entre si, fortalecendo sua presença na cidade e contribuindo para a formação de uma cultura de resistência e trajetória de trabalho das mulheres negras e mestiças na região. Ainda não há confirmação oficial sobre todas as ações dessas mulheres, mas os documentos revelam a sua importância histórica dentro da sociedade paraense.

Esse capítulo da história reforça como o açaí, além de símbolo cultural, foi também instrumento de sustento para muitas mulheres, carregando histórias de luta e resistência que continuam a marcar a tradição da fruta em Belém. A data hoje serve para homenagear essas protagonistas invisíveis que ajudaram a construir uma parte significativa do patrimônio cultural da cidade, cuja memória ainda ressoa na rotina moderna do consumo de açaí.

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O que sabemos?

  • Mulheres negras e mestiças vendiam e preparavam açaí manualmente no século XIX em Belém.
  • Preparação envolvia esfregar os frutos com as mãos em vasilhas com água, sem máquinas.
  • Elas atuavam como vendedeiras e também como cozinheiras ou doceiras, às vezes no mesmo dia.
  • Registros históricos mostram conflitos, furtos, episódios de violência e relações de solidariedade entre elas.
  • Pesquisa da UFPA revelou a relevância social e econômica dessas mulheres na história do açaí em Belém.

Fontes

  • G1 imprensa
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