Descobertas na Amazônia: cinco animais raros e curiosos registrados em Serra do Navio
Entre espécies com aparência única e comportamentos inéditos, biodiversidade do Amapá chama atenção neste Dia da Amazônia
No Dia da Amazônia, o g1 AP destacou cinco animais notáveis encontrados em Serra do Navio, no Amapá. Desde uma perereca translúcida até uma cobra-cega, as espécies revelam a riqueza e o mistério da fauna local.
Neste sábado, 5 de junho, comemorado como o Dia da Amazônia, o portal g1 AP trouxe uma lista de cinco animais que ilustram a biodiversidade única do bioma amazônico, especialmente na região de Serra do Navio, no Amapá. Essas espécies não só se destacam pela aparência exótica, mas também por comportamentos pouco comuns e registros inéditos para a ciência brasileira.
Um dos animais mais impressionantes é a perereca-de-vidro (Cochranella resplendens), uma espécie quase transparente com pele translúcida que permite a observação de órgãos internos, principalmente na região abdominal. Segundo informação divulgada pelo g1 AP, pesquisadores da Universidade Federal do Amapá, com apoio do fotógrafo Wirley Almeida, fizeram o primeiro registro oficial da espécie no Brasil. A descoberta foi ocorrida em 2020, no quintal da própria residência do fotógrafo, e gerou uma busca intensa por parte de pesquisadores, que coletaram DNA do anfíbio após uma expedição de dois dias em Serra do Navio. Antes, a espécie só era conhecida no Equador, Colômbia e Peru, o que faz do achado um marco na atualização do mapa de distribuição dessa rã na América do Sul.
Outra espécie que chamou atenção é a rã-kambô (Phyllomedusa bicolor), que, embora não seja considerada uma espécie rara, apresentou um comportamento pouco comum na reprodução: o amplexo múltiplo, quando mais de um macho se prende à mesma fêmea. Este fenômeno aumenta durante os meses de chuva, período em que há maior movimento de machos nas margens de rios e lagoas, mas sua inclusão na lista reforça a diversidade comportamental desses anfíbios na região.
A lista também inclui uma cigarrinha-ninfa, de apenas cinco milímetros, com um formato incomum na fase juvenil. Segundo o g1 AP, registros anteriores indicam que essa espécie foi identificada inicialmente no Suriname, em 2012. A seu corpo gelatinoso, com filamentos de cera na região traseira, funciona como mecanismo de defesa contra predadores, além de facilitar a fuga, uma estratégia que reforça a adaptação desses insetos às condições da floresta amazônica.
Outro destaque é a cobra-cega, que vive sob a terra e é mais ativa durante a noite. Como sua localização natural é subterrânea, ela permanece pouco visível, mas sua presença é importante para o equilíbrio ecológico da região. Por fim, a lagarta-cristal, com corpo de aspecto gelatinoso, também integra essa lista de descobertas, protegendo-se de predadores e mantendo-se úmida graças à sua estrutura especial.
De acordo com o g1 AP, cerca de 73% do território do Amapá é protegido por unidades de conservação, áreas preservadas, territórios indígenas e quilombolas, o que favorece a preservação dessas espécies e permite registros que ampliam o conhecimento científico sobre a fauna amazônica. Ainda assim, esses avanços dependem de estudos contínuos e da atenção dedicada a esses animais raros, muitos dos quais permanecem quase invisíveis na rotina diária da populações locais. Essas descobertas reforçam a importância de manter o bioma preservado e de valorizar o estudo científico de espécies que podem ser desconhecidas por grande parte da população, mas que representam uma parte fundamental da biodiversidade mundial.
O que sabemos?
- Aperegas-de-vidro foi registrada oficialmente no Brasil pela primeira vez.
- A rã-kambô foi observada em comportamento de reprodução incomum com múltiplos machos.
- Cigarrinha-ninfa de 5 milímetros foi registrada na região, com mecanismo de defesa com filamentos de cera.
- Cobras-cegas vivem subterrâneas e aparecem mais à noite.
- Lagarta-cristal tem corpo gelatinoso que ajuda na proteção e manutenção da umidade.
Fontes
- G1 imprensa



