Brasil

Comunidades e cientistas duelam sobre obra de hidrovia no Pará devido a riscos ambientais

Em apuração ?

Projeto de R$ 1 bilhão prevê explosões para derrocamento em rio do Pará, gerando preocupações ecológicas e sociais

Imagem de comunidades ribeirinhas na região do Pedral do Lourenção, no Pará, ao redor do rio Tocantins
Imagem: G1

O governo federal planeja abrir uma hidrovia por meio de explosões no Rio Tocantins, mas moradores e cientistas alertam para riscos ao meio ambiente e à vida das comunidades ribeirinhas.

Uma grande controvérsia envolve o plano do governo federal para a implantação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, que inclui a realização de operações de derrocamento—explosões controladas de rochas—em um trecho do Rio Tocantins, conhecido como Pedral do Lourenção, localizado no sudeste do Pará. Segundo informações de fontes ligadas ao projeto, a obra, orçada em aproximadamente R$ 1 bilhão e vinculada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), recebeu sua licença de instalação em maio de 2025, e o uso de explosivos está previsto para iniciar em 2027.

O trecho em questão, que atravessa uma área de mais de 400 km de Belém, fica entre a Vila Santa Terezinha do Tauiry, na cidade de Itupiranga, e a ilha do Bogéa, em Nova Ipixuna. As obras fazem parte de um projeto maior que prevê uma hidrovia de 1.731 km, conectando a cidade de Peixe (TO) ao porto de Barcarena, na Grande Belém. Dividida em três trechos, a hidrovias envolve intervenções de dragagem em seus extremos e o derrocamento do Pedral do Lourenção no meio do percurso. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a obra é considerada fundamental para otimizar o transporte de cargas na região, especialmente de soja e gado, setores que dependem do escoamento por água e que podem ser beneficiados por essa infraestrutura durante períodos de seca.

No entanto, o projeto enfrenta forte resistência. Cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi e o Ministério Público Federal apontam lacunas nos estudos de impacto ambiental, alertando que a destruição das rochas pode provocar enchentes severas, afetar a pesca artesanal, que é o sustento de aproximadamente 23 comunidades ribeirinhas, e causar danos irreversíveis ao ecossistema aquático. Ainda segundo essas fontes, as rochas do Pedral do Lourenção servem de berçário para muitas espécies de peixes, além de serem locais de reprodução e até de refúgio em situações de naufrágio, o que reforça os riscos ecológicos associados ao projeto.

Além das preocupações ambientais, moradores locais também mobilizam-se para solicitar a proteção do patrimônio ecológico e cultural. Na quarta-feira, dia 26, eles protocolaram junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um pedido de tombamento de urgência para um trecho de 54 km do rio, incluindo toda a área prevista para as explosões. Segundo uma representante das comunidades, esse movimento busca impedir que as explosões comprometam o modo de vida local, que depende da pesca artesanal, e preservem as pedras como habitat natural para várias espécies, além de local de elevada importância cultural e de sobrevivência para os pescadores da região.

Por enquanto, o governo federal ainda não confirmou oficialmente as datas de início das operações de explosão, nem a extensão exata dos estudos ambientais que embasam o projeto. O próprio órgão responsável pelo empreendimento, o Dnit, afirma que a obra é fundamental para o desenvolvimento econômico da região, mas ainda aguarda novas avaliações e possíveis ajustes frente às preocupações manifestadas por cientistas e comunidades. O conflito, portanto, está longe de ter uma resolução definitiva, e a disputa jurídica e social promete continuar até que os interesses ambientais e tradicionais sejam devidamente considerados e protegidos.

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O que sabemos?

  • A obra de derrocamento no Pedral do Lourenção está prevista para começar em 2027.
  • O projeto de hidrovia tem investimento de R$ 1 bilhão e faz parte do PAC.
  • Comunidades ribeirinhas e cientistas pedem o tombamento de 54 km do rio para proteger o ecossistema.
  • Governo federal alega que a hidrovia vai melhorar o escoamento de commodities na região.

Fontes

  • G1 imprensa
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