Moradora de Porto Alegre questiona cenário político após enchente e desanimo nas eleições
Ao passear na orla afetada pela cheia, Heloisa Vivan reflete sobre o momento político do Brasil e suas opções de voto.
Heloisa Vivan, moradora de Porto Alegre, percebe uma menor movimentação política na cidade após enchente. Ela avalia o cenário eleitoral e a falta de esperança em opções de candidatos.
Em uma manhã de inverno na cidade de Porto Alegre, a moradora Heloisa Vivan, de 33 anos, aproveitou o intervalo do trabalho remoto para passear com seu filho de oito meses na orla do lago Guaíba. O que ela viu, no entanto, chamou sua atenção: marcas de lama, placas de 'vende-se' e 'aluga-se' nos muros, além de uma nova mureta de concreto que reforça a contenção contra as futuras enchentes, decorrentes do temporal de maio de 2024. A paisagem, embora marcada pela cheia, parecia refletir também um momento de menor agitação política na cidade e no país, algo que ela mesma afirma perceber na rotina, nas redes sociais e até nas conversas com amigos e familiares.
Segundo a própria, essa diminuição de entusiasmo está relacionada à crise de confiança nos candidatos ao cargo máximo do país, bem como à exaustão com a disputa entre PT e bolsonarismo, que ocupam o centro do debate eleitoral há várias eleições seguidas. Ela comenta: "As pessoas estão muito menos empolgadas. Tem menos burburinho nas redes sociais, no clima no WhatsApp familiar, entre amigos." Ainda de acordo com ela, essa fadiga política é alimentada por uma percepção de que os principais candidatos representam uma continuidade do mesmo, e por uma tentativa de manter o antagonismo entre PT e Bolsonaro, que ela observa como uma estratégia para gerar medo e divisão.
Heloisa, que votou em Simone Tebet no primeiro turno de 2022 e apoiou Lula no segundo, revela que não se sente mais conectada com o atual cenário eleitoral. Ela tentou acompanhar os debates e ouvir diferentes candidatos, mas afirmou não ter encontrado uma opção que a convencesse: "assistiu ao debate na Band e não se conectou com nenhum candidato. Não gosta da postura de alguns e associa outros a modismos de autoajuda, como Augusto Cury." Ela também expressou interesse em Romeu Zema, do Novo, mas a ausência do político nas disputas fez com que seu interesse esfriasse ainda mais. "Queríamos uma terceira via que fosse eficaz, mas os candidatos atuais não oferecem isso," afirma.
A narradora confirma ainda que seu voto em 2022 foi decidido pela estratégia de derrotar Bolsonaro, ainda que sua preferência pessoal fosse diferente. "Fiquei feliz que o Bolsonaro perdeu, não é nem que o Lula venceu," diz, e acrescenta que sua decepção vem da falta de mudanças concretas no Brasil após o terceiro mandato do petista. Ela critica o aumento de impostos, o crescimento dos gastos públicos e a ausência de avanços claros em áreas como saúde e educação. "Não quero que o país continue do jeito que está e também não quero votar em um candidato considerado corrupto, como o Flávio Bolsonaro," explica. Assim, ela pensa em votar nulo nesta eleição, e ainda discute com o marido qual será sua opção para deputado e senador — decisões que pretende tomar após uma conversa mais aprofundada com o parceiro, que acompanha melhor os detalhes da política.
Por ora, ela mostra uma desilusão generalizada com a atuação do Congresso e admite que tem dificuldades para entender o funcionamento do Legislativo, o que reforça sua sensação de que é difícil confiar nas opções disponíveis para mudar o quadro do país. A expectativa de uma renovação política que traga esperança parece distante, enquanto ela continua observando as mudanças na cidade e na própria atitude diante do cenário eleitoral.
O que sabemos?
- Heloisa Vivan, 33 anos, mora em Porto Alegre e faz passeios na orla do lago Guaíba.
- Enchente histórica de maio de 2024 impactou a vizinhança, marcando marcas de lama e mudança na paisagem.
- Há menor movimentação e entusiasmo nas redes sociais e na cidade em relação às eleições.
- Heloisa avalia que candidatos atuais ao Executivo não representam uma saída eficaz para o país.
- Ela planeja votar nulo nesta eleição, por descontentamento com o cenário político atual.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





