Organizações apoiam mulheres negras com viagens de descanso, mostra iniciativa que ganha destaque no Brasil
Ações buscam promover o bem-estar e reflexão sobre o direito ao descanso das mulheres negras no país
Fundos e organizações estão investindo em programas que proporcionam momentos de pausa e autoconhecimento para mulheres negras, destacando a importância do descanso como direito fundamental.
Recentemente, uma iniciativa que visa apoiar mulheres negras a descansarem e refletirem sobre seu bem-estar vem ganhando atenção no Brasil. Segundo informações de uma fonte especializada na temática, organizações estão financiam viajens de férias, com o objetivo de promover o descanso e a autonomia dessas mulheres, que muitas vezes enfrentam jornadas exaustivas de cuidado e trabalho. Entre os exemplos mais destacados está o fundo filantrópico chamado Agbara, que lançou o edital 'Descansa, Nêga', voltado especificamente para mulheres negras, oferecendo viagens com tudo pago, incluindo a possibilidade de levar uma acompanhante. Segundo a organização, esse projeto surgiu ao questionar quem tem direito ao descanso no Brasil, destacando a desigualdade na distribuição desse recurso muitas vezes invisível: o tempo. Dados indicam que mulheres negras dedicam, em média, 22,4 horas semanais a tarefas de cuidado, enquanto mulheres brancas gastam 20,7 horas nesse tipo de atividade, e homens negros e brancos, cerca de 12 horas, segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda de acordo com a fonte, essa sobrecarga impacta diretamente na participação dessas mulheres no mercado de trabalho, que é mais baixa, e na informalidade, que registra taxas mais altas entre elas. Dados do próprio fundo mostram que, em 2022, mulheres negras receberam apenas 59% da renda comparada à de homens, revelando uma desigualdade histórica. A fundadora do fundo, Aline Odara, explica que a iniciativa nasceu ao refletir sobre a desigualdade no acesso ao tempo de descanso, uma riqueza muitas vezes ignorada. "Uma das formas mais radicais de pensar prosperidade para uma mulher negra é fazer com que ela passe um tempo sem produzir nada", afirma. O conceito de bem viver, associado às culturas indígenas andinas e às práticas ancestrais de comunidades negras, coloca o direito ao sono, à moradia segura, à alimentação saudável e à autonomia sobre o corpo como prioridades essenciais para a qualidade de vida. Segundo a mesma fonte, a proposta não nega a luta contra o racismo e a violência, mas propõe ampliar a discussão sobre como as mulheres negras podem viver de forma mais plena, além de apenas sobreviver. Ainda não há confirmação oficial de outras ações similares, mas o caso chama a atenção para uma questão que vem sendo discutida por especialistas e ativistas, sobretudo no contexto de uma sociedade marcada por desigualdades históricas.
O que sabemos?
- Organizações estão pagando mulheres negras para viajar e descansar no Brasil.
- Projeto 'Descansa, Nêga' oferece viagens com tudo pago e leva uma acompanhante.
- Dados indicam que mulheres negras dedicam mais tempo ao cuidado do que homens e mulheres brancas.
- A iniciativa questiona quem tem direito ao descanso e ao tempo livre, destacando a desigualdade na distribuição de recursos.
- Dados apontam que mulheres negras recebem, em média, 59% da renda dos homens em 2022.
Fontes
- UOL Notícias imprensa





