Espécies invasoras no Mediterrâneo: o impacto do aquecimento global e da abertura do Canal de Suez
A chegada de espécies de regiões tropicais está mudando a biodiversidade marinha na região, preocupando cientistas e ambientalistas.
Estudos indicam que mais de 1.000 espécies não nativas habitam o Mediterrâneo, com uma nova entrando a cada duas semanas. A combinação do aquecimento global com a expansão de rotas marítimas tem facilitado esse fenômeno.
O mar Mediterrâneo, conhecido por sua biodiversidade extremamente rica e complexa, enfrenta uma crescente ameaça causada pela entrada de espécies invasoras vindas de regiões tropicais e de águas mais quentes, como o Mar Vermelho. Segundo uma fonte confiável, ainda não confirmada oficialmente, há uma estimativa de que uma nova espécie chega ao Mediterrâneo a cada duas semanas, elevando o total de espécies não nativas para mais de 1.000, em comparação com menos de 800 registradas em estudos anteriores. Essa mudança drástica na fauna marinha é atribuída, principalmente, ao aumento das temperaturas do mar e à abertura do Canal de Suez, que facilitou a navegação de peixes e outros organismos de regiões de clima tropical para o Mediterrâneo, uma área que, embora represente apenas 0,8% da área oceânica global, abriga até 18% das espécies marinhas do mundo segundo algumas estimativas.
Na costa do Chipre, um pequeno pescador conhecido como Pepis participa de um esforço de cientistas que monitoram a disseminação dessas espécies invasoras. Segundo relatos, ele apanha peixes-leão, uma das espécies que mais têm preocupado os especialistas por não possuir predadores naturais na região. Essas criaturas, que lembram um punk submarino com espinhos e moicanos, possuem um apetite voraz por peixes e crustáceos nativos, além de causar prejuízos ao ecossistema local ao competir e se multiplicar descontroladamente. Cientistas do laboratório de Pesquisa Marinha e Ambiental (MER, na sigla em inglês), sediado no Chipre, afirmam que as mudanças desde o ano 2000 têm sido particularmente intensas, com espécies não nativas dominando cada vez mais o ambiente marinho, em detrimento das espécies nativas, o que pode alterar cadeias alimentares inteiras.
Na Grécia, o panorama não é diferente. De acordo com a diretora de pesquisa do Centro Helênico de Pesquisa Marinha, mais de 230 espécies exóticas chegaram às águas gregas nas últimas décadas. Entre elas estão peixes-coelho, que consomem algas de forma excessiva, criando áreas submarinas desérticas e competindo com espécies nativas por recursos, potencialmente ameaçando a biodiversidade local. Ainda não há confirmação de que essas espécies estejam causando danos irreversíveis, mas o aumento observado alimenta preocupações sobre o impacto prolongado dessas invasões na saúde do ecossistema marinho do Mediterrâneo, que é fundamental para a atividade pesqueira da região e para a manutenção de seu equilíbrio ecológico.
O que sabemos?
- Mais de 1.000 espécies não nativas no Mediterrâneo, um aumento de mais de 200 desde estudos anteriores.
- Uma nova espécie entra na região a cada duas semanas, segundo levantamento de especialistas.
- Aumento da temperatura do mar e a abertura do Canal de Suez facilitam o ingresso dessas espécies.
- Espécies como o peixe-leão não têm predadores naturais na região, favorecendo sua proliferação.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





