Brasil

A mulher que assinou a independência do Brasil e foi a primeira a governar o país

Em apuração ?

Leopoldina de Habsburgo-Lorena, uma austríaca que mudou a história do Brasil há 200 anos

Retrato de Leopoldina de Habsburgo-Lorena, primeira mulher a exercer o governo interinamente no Brasil
Imagem: BBC News Brasil

Leopoldina, princesa austríaca, desempenhou papel crucial na independência brasileira em 1822, assumindo interinamente o governo do país durante alguns dias. Sua participação é reconhecida por historiadores como um marco na presença feminina na política brasileira.

No dia 2 de setembro de 1822, um dos momentos mais emblemáticos da história do Brasil aconteceu na cidade de São Paulo: a assinatura da independência do país do domínio português. Embora tradicionalmente marcada pelo famoso Grito do Ipiranga, esse evento contou com a participação de uma figura histórica muitas vezes pouco destacada, a imperatriz Leopoldina de Habsburgo-Lorena, que naquela época tinha apenas 25 anos. Segundo fontes consultadas, Leopoldina, nascida em Viena em 22 de janeiro de 1797, chegou ao Brasil há exatos 200 anos, vindo de uma das famílias mais influentes da Europa, os Habsburgo. Ela foi a primeira mulher a exercer temporariamente o comando do Brasil, mesmo que de maneira interina e por poucos dias, fato que torna sua história ainda mais impressionante, além de marcar um importante avanço na participação feminina no cenário político nacional.

A viagem de Leopoldina até o Brasil foi longa e carregada de significados diplomáticos. Ainda segundo fontes, ela se casou, aos 20 anos, por procuração, com o príncipe português Dom Pedro de Bragança — que viria a ser Dom Pedro I — numa tentativa de fortalecer alianças entre Portugal e os Habsburgo. A cerimônia ocorreu em maio de 1817, e a princesa partiu da Europa a bordo de uma embarcação que levou seis meses para atravessar o Atlântico, levando cientistas, pintores e botânicos europeus na chamada Missão Científica Austríaca. De acordo com especialistas, ela foi bem preparada para os rumos que a história reservava, aceitando a missão de cruzar o oceano e deixar tudo o que conhecia para atender às expectativas de sua poderosa família e cumprir seu papel de princesa.

Durante uma viagem de dom Pedro ao estado de São Paulo, em 1822, Leopoldina permaneceu no palácio imperial. Segundo registros, foi nesse período que ela assumiu o cargo de regente do Brasil, uma função que ocupou por poucos dias, mas que teve um impacto decisivo na história do país. Ainda segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, foi nesse momento que ela assinou a declaração de independência brasileira, um ato que oficializou a separação de Portugal. Importante destacar que dom Pedro só foi informado oficialmente sobre a independência cinco dias depois, em 7 de setembro, data que hoje é comemorada como o Dia da Independência do Brasil. Historiadores explicam que o período em que Leopoldina exerceu o poder, mesmo que brevemente, foi fundamental para o país e para garantir que o movimento tivesse respaldo político.

Especialistas também destacam que a figura de Leopoldina tem sido revisitada por pesquisadores na última década. Segundo a professora de história, Cecilia Helena de Salles Oliveira, ela demonstra uma participação muito mais ativa na história política do Brasil do que a clássica narrativa costuma atribuir, que frequentemente a retrata como uma mulher melancólica e passiva, humilhada por escândalos relacionados a dom Pedro. Escritores e historiadores atualmente defendem uma visão mais ampla do seu papel, considerando que ela ajudou a escrever a história do Brasil e que sua presença na política, mesmo que breve, é um marco para a trajetória feminina no país. Como ressalta o autor Paulo Rezzutti, a forma como a história dela é contada muitas vezes reforça uma narrativa centrada no protagonismo masculino, deixando de lado a importância das mulheres na política e na formação do país.

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O que sabemos?

  • Leopoldina foi a primeira mulher a exercer o governo interinamente no Brasil.
  • Ela assinou a declaração de independência do Brasil em 2 de setembro de 1822.
  • A princesa austríaca chegou ao Brasil há 200 anos, vindo de Viena.
  • Ela foi casada com Dom Pedro, que se tornaria Dom Pedro I.
  • Historiadores defendem que seu papel foi fundamental na história política do país.

Fontes

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