Idosas resgatadas em BH trabalhavam sem salário há décadas, aponta promotoria
Duas mulheres, de 90 e 65 anos, viveram e trabalharam na mesma casa sem direitos por anos, diz investigação
Segundo o Ministério Público do Trabalho, as duas idosas estavam em condições semelhantes às de trabalho escravo doméstico, sem acesso a salário ou direitos trabalhistas na capital de Minas Gerais.
Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em uma residência em Belo Horizonte em uma operação que revelou condições próximas às de trabalho escravo. Segundo o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), as mulheres trabalhavam para a mesma família há gerações, realizando tarefas domésticas sem receber salário nem ter acesso a direitos trabalhistas ou benefícios sociais. O resgate ocorreu no final de agosto, após uma ação conjunta envolvendo o MPT, a Polícia Federal e fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, sendo divulgado na quinta-feira (3).
De acordo com a promotoria, as proprietárias da casa afirmaram aos agentes que tratavam as idosas como membros da família. No entanto, o órgão contesta essa versão, destacando que as mulheres não tinham acesso aos bens patrimoniais ou às mesmas condições de educação e saúde oferecidas aos demais moradores. Ainda não há confirmação oficial sobre a identificação dos responsáveis legais pela residência, pois o clube não se pronunciou sobre o caso.
A idosa de 90 anos trabalhava na mesma família desde a adolescência, tendo passado 75 anos sem registro formal ou direitos como férias e remuneração. Já a mulher de 65 anos morava na casa desde os cinco anos de idade e era responsável por atividades como limpeza, alimentação dos moradores e compras no mercado. O ambiente em que viviam apresentava problemas de estrutura, com quartos sem janelas e problemas de mofo, além de uma dependência da residência que lhes servia de moradia durante todo o tempo.
Após o resgate, ambas as mulheres foram encaminhadas para avaliação médica e posteriormente acolhidas pela rede de assistência social municipal. A investigação, que está em andamento desde março deste ano, foi motivada por uma denúncia anônima. Segundo a promotoria, as idosas recebiam benefícios sociais do governo, porém, esses valores eram controlados pelo filho da dona da casa, que também gerenciava os benefícios da própria mãe, moradora no local. A denúncia indicou ainda dificuldades de comunicação entre as trabalhadoras e os profissionais de saúde que acompanhavam o local.
Enquanto o Ministério do Trabalho e Emprego, responsável pelas fiscalizações, não se pronunciou oficialmente até o momento da publicação, a Defensoria Pública de Belo Horizonte informou que já solicitou à prefeitura uma vaga em uma instituição de longa permanência para idosos. A expectativa é de que as mulheres recebam acompanhamento especializado em saúde e assistência social, garantindo uma proteção mais efetiva e digna após anos de trabalho não reconhecido. Este caso traz à tona a dura realidade de muitas pessoas idosas que permanecem invisíveis, sem acesso aos seus direitos, mesmo após décadas de dedicação às famílias para as quais trabalharam.
O que sabemos?
- Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas em Belo Horizonte.
- Elas trabalhavam há gerações na mesma casa, sem remuneração ou direitos.
- O resgate aconteceu no final de agosto, divulgado em 3 de outubro.
- As mulheres viviam em condições precárias, sem acesso a saúde e educação adequadas.
- A investigação começou após denúncia anônima em março deste ano.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





