Fim das cabines que aceitam dinheiro em pedágios de São Paulo preocupa motoristas
Transformação no pagamento de tarifas nas rodovias afeta quem ainda depende de dinheiro em espécie
As cabines de cobrança que aceitam pagamento em dinheiro, cada vez mais raras, estão desaparecendo de várias praças de pedágio em São Paulo. Motoristas que ainda usam moedas enfrentam novos desafios, enquanto o uso de sistemas eletrônicos cresce rapidamente.
Quem dirige pelas rodovias de São Paulo tem percebido uma mudança significativa na forma de pagar os pedágios. Segundo informações coletadas junto à concessionária Eixo-SP, as cabines tradicionais que aceitam pagamento em dinheiro estão praticamente desaparecendo, principalmente em trechos mais internos, como na rodovia Washington Luís. Ainda que a Lei determine que esse tipo de cobrança seja obrigatória no estado, muitas dessas cabines já nem existem mais, levando o motorista a precisar utilizar sistemas eletrônicos ou chamar um operador para fazer a cobrança manualmente.
Foi o caso do agente aeroportuário Gustavo Fernandes Neto, de 38 anos, que em uma recente viagem se deparou com uma cabine de autoatendimento sem atendente. Sem ninguém para receber as moedas ou dar troco, ele precisou usar o cartão de débito. Gustavo comentou à reportagem que tinha o costume de guardar moedas no carro para pagar o pedágio, mas acaba enfrentando dificuldades com a modernização. Segundo ele, o procedimento de pagamento via totem leva entre 10 a 15 segundos, enquanto o pagamento em dinheiro geralmente é mais demorado, devido ao processamento do troco e da conferência.
O avanço dos meios eletrônicos é evidente. O gerente de operações da concessionária Eixo-SP explicou que, atualmente, as formas de pagamento em dinheiro representam apenas cerca de 3% da movimentação nas praças gerenciadas pela empresa, incluindo trechos das rodovias Anhanguera, Bandeirantes, Presidente Dutra e Fernão Dias. Essa proporção, que em 2022 era de 25%, deve cair ainda mais para 1% até o final deste ano. O uso de cartões, aplicativos de celular e relógios inteligentes tem ganhado espaço, multiplicando a velocidade e a praticidade.
Um vendedor aposentado, Sandro Luiz Gonçalves, de 50 anos, comentou que faz quase quatro anos deixou de usar dinheiro para pagar pedágio, optando pelas maquininhas eletrônicas que começaram a ser instaladas. Segundo ele, o pagamento em débito ou crédito é mais rápido e conveniente, refletindo uma mudança de hábito acompanhada pelo achatamento do uso de moedas e notas no Brasil, cujo volume de circulação de dinheiro físico vem caindo ano após ano, conforme dados do Banco Central. Ainda não há um consenso oficial sobre o momento exato em que todas as cabines com pagamento manual desaparecerão, mas a tendência indica a redução definitiva dessas operações presenciais.
De acordo com fontes do setor, até o fim do ano, a maioria das cabines que aceitam dinheiro será substituída por totens de autoatendimento ou sistemas de leitura de tags eletrônicos, reforçando a digitalização do pagamento de pedágios no país. Essa mudança é vista por especialistas como um avanço na agilidade e segurança, embora ainda gere preocupações entre motoristas mais idosos ou aqueles que pouco usam tecnologia. A notícia ainda não foi oficialmente confirmada por todas as concessionárias, e o próprio Ministério dos Transportes ainda regula esse procedimento apenas por portaria publicada em 2024, sem uma data definitiva para a eliminação total das cabines tradicionais.
O que sabemos?
- Cabines que aceitam dinheiro têm desaparecido das rodovias paulistas.
- Segundo concessionária, pagamento em dinheiro hoje representa cerca de 3% da movimentação.
- Projeção é que a porcentagem caia para 1% até o final de 2025.
- Pagamento eletrônico é mais rápido e predominante há cerca de dez anos, regulamentado oficialmente em 2024.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





